Edifícios de apartamentos à beira-mar no Rio de Janeiro ao entardecer — guia de seguro para proprietários estrangeiros
Guias · Seguro

Segurar um imóvel no Rio, do jeito certo.

A apólice do edifício não cobre o seu apartamento. A maioria dos proprietários descobre isso na semana em que um cano estoura na unidade de cima. Aqui está a versão que damos aos nossos próprios clientes — o que contratar, quanto custa e as cláusulas da apólice que decidem se um sinistro realmente é pago.

01 · As duas apólices

O edifício está segurado. Seu apartamento não está.

Todo edifício de condomínio no Brasil é obrigado por lei a ter seguro. O Código Civil (artigo 1.346) e a antiga lei do condomínio (Lei 4.591/64) dizem a mesma coisa em termos claros: o edifício inteiro deve ser segurado contra incêndio e destruição total ou parcial. Seu síndico providencia isso, o custo está embutido na taxa mensal de condomínio que você já paga, e no dia em que você compra seu apartamento herda um edifício que está, tecnicamente, segurado. A maioria dos compradores para de pensar em seguro exatamente aí. Esse é o erro.

Essa apólice obrigatória — o seguro condominial — protege a estrutura: as paredes, os pilares, o telhado, os poços dos elevadores, as áreas comuns, as coisas que pertencem a todos. Ela é redigida para reconstruir o edifício se ele pegar fogo. Não é redigida para repor a sua cozinha, suas obras de arte, o mármore que você assentou no banheiro ou o notebook que alguém levou embora. E não faz quase nada pela coisa mais comum e mais cara que de fato acontece num apartamento no Rio, que é a água de uma unidade arruinando a unidade de baixo.

Portanto, há duas apólices na sua vida, e você controla apenas uma delas. A do edifício é cuidada para você, e ainda assim convém lê-la uma vez. A sua — o seguro residencial — é a que ninguém providencia a não ser você. Este guia inteiro trata, na verdade, de fechar a lacuna entre as duas, porque é exatamente na lacuna que os prejuízos aterrissam.

Uma tranquilização antes dos detalhes: os valores envolvidos aqui são pequenos. Uma apólice residencial robusta para um bom apartamento na Zona Sul costuma custar menos do que o edifício lhe cobra por um único mês de condomínio. O motivo pelo qual os proprietários ficam sem ela nunca é o preço. É que ninguém nunca sentou com eles e explicou quais caixas marcar.

02 · A apólice do edifício

Leia a apólice do síndico uma vez.

O seguro condominial é contratado pelo condomínio como um todo e pago com o orçamento do prédio, ou seja, com a sua taxa mensal. A cobertura obrigatória é incêndio, raio e explosão sobre a estrutura. Além desse núcleo, a maioria dos prédios bem administrados em Leblon, Ipanema ou na Lagoa contrata bem mais — responsabilidade civil por acidentes nas áreas comuns (um convidado que escorrega na piscina, um galho que cai no jardim), danos aos elevadores, vidros do hall, e cada vez mais um pacote condominial multirrisco que inclui assistência 24 horas para emergências hidráulicas e elétricas do próprio prédio.

O que ela não fará é entrar pela sua porta de entrada. A linha divisória que as seguradoras usam é mais ou menos esta: se faz parte do edifício compartilhado por todos, a apólice condominial entra em ação; se está dentro da sua unidade privativa, o problema é seu. Os encanamentos são a zona cinzenta sobre a qual todos discutem, e voltaremos a eles, porque a coluna que sobe pela sua parede é "comum", enquanto o ramal que alimenta a sua pia é "privativo", e de que lado dessa linha um vazamento cai pode ser toda a disputa.

Duas providências práticas ao comprar. Primeira, peça à administradora uma cópia da apólice condominial vigente e a data de renovação dela — você quer saber a seguradora, o valor segurado do edifício e se responsabilidade civil e danos por água às unidades privativas estão incluídos ou excluídos. Muitos edifícios mais antigos contratam o mínimo legal e nada mais, o que lhe indica quanto peso a mais a sua própria apólice terá de carregar. Segunda, confira se o edifício de fato pagou o último prêmio. Uma apólice condominial vencida é mais comum do que deveria, e você não vai querer descobrir isso por causa de um incêndio.

Se você integra o conselho do condomínio — e proprietários estrangeiros podem integrá-lo —, a coisa mais útil que pode defender é uma moderna apólice condominial multirrisco que cubra explicitamente responsabilidade civil e danos entre unidades. Não é cara quando rateada entre quarenta apartamentos, e tira a parte mais afiada das disputas entre vizinhos que, de outra forma, acabam num Juizado Especial Cível no Rio.

03 · Sua apólice

Seguro residencial, módulo a módulo.

A apólice que você mesmo contrata é o seguro residencial. Ele é vendido como uma cobertura básica com módulos opcionais acoplados, e a arte está em escolher os módulos — as coberturas — que correspondem ao modo como o Rio de fato danifica um apartamento, e dispensar aqueles de que o vendedor gosta porque pagam comissão. Aqui está o cardápio, na ordem em que eu pensaria nele.

Incêndio, raio e explosão — a base

Incêndio, raio e explosão é a espinha obrigatória de toda apólice residencial, exatamente como é para o edifício. Por si só, é quase inútil para um apartamento — apartamentos raramente pegam fogo —, mas você não pode contratar o restante sem ela, então trate-a como o ingresso de entrada e siga para o que importa.

Danos elétricos — o sinistro que todo mundo de fato aciona

Danos elétricos é a cobertura que os brasileiros mais acionam, e os estrangeiros sempre a subestimam. A rede elétrica daqui produz picos de tensão — depois de uma tempestade, depois de um apagão, depois do tipo de oscilação de voltagem que é rotina nos verões cariocas — e os picos queimam televisores, geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, computadores e os eletrônicos cada vez mais caros de um apartamento moderno. O módulo é barato, os sinistros são frequentes, e é a primeira caixa que marco depois da base. Atente aos limites por item e por evento, porque um único pico pode danificar três aparelhos de uma vez.

Roubo e furto — e a palavra que importa

A cobertura contra furto vem com uma distinção que pega as pessoas de surpresa. Roubo é a subtração com violência ou ameaça — um assalto. Furto é a subtração sem violência, e se divide ainda em furto qualificado (com arrombamento, uma fechadura forçada, uma janela quebrada) e furto simples (algo simplesmente levado, sem uso de força). As apólices padrão pagam em caso de roubo e de furto qualificado, quando há prova clara de arrombamento; muito frequentemente excluem o furto simples. Leia qual está contratando. Um edifício com porteiro em Ipanema tem um perfil de furto baixo e você pode manter este módulo enxuto; uma unidade no térreo ou uma casa atrás de um muro merece a versão mais completa.

Danos por água e responsabilidade civil — os essenciais do Rio

Danos por água e responsabilidade civil são os dois módulos sem os quais não deixo um apartamento sob gestão ficar, e eles ganham uma seção própria mais abaixo porque, num edifício do Rio, são a mesma história contada de duas pontas. Em resumo: danos por água cobre o que um vazamento faz ao seu próprio apartamento, e responsabilidade civil cobre o que o seu apartamento faz ao de outra pessoa — na maioria das vezes, o vizinho de baixo. Contrate os dois. Eles são a diferença entre uma tarde chata e uma disputa de cinco dígitos.

O valor do conteúdo — onde os proprietários erram

Todo módulo é limitado por um valor segurado, e aquele que as pessoas definem de forma descuidada é o conteúdo. Percorra o apartamento e some tudo com honestidade: móveis, eletrônicos, a cozinha, qualquer coisa que você trouxe do exterior, obras de arte. Se segurar a menos, a seguradora aplica o rateio — liquidação proporcional —, o que significa que, se você segurou o conteúdo por metade do valor real, ela paga cerca de metade de qualquer perda parcial, não o conserto integral. É o motivo mais comum pelo qual um sinistro pago ainda deixa o proprietário no prejuízo. Segurar a mais desperdiça prêmio; segurar com honestidade é o único ajuste sensato.

Assistência 24 horas — a parte que você mais usa

Quase toda apólice residencial hoje inclui assistência residencial 24 horas — um chaveiro, um encanador, um eletricista, um vidraceiro — enviados e pagos pela seguradora em pequenas emergências, sem abertura de sinistro e sem efeito sobre o seu prêmio. Para um proprietário que nem sempre está no país, ou que fala pouco português às onze da noite, essa é, discretamente, a cláusula mais valiosa da apólice. Confira o número de atendimentos por ano e os limites de cada atendimento; eles variam mais do que a cobertura principal.

04 · Água e vizinhos

O vazamento abaixo de você é o risco de verdade.

Se você guardar um parágrafo deste guia, que seja este. Num edifício de apartamentos do Rio, o sinistro mais provável de todos, por larga margem, não é incêndio nem furto. É a infiltração — água que escapa da sua unidade e danifica a de baixo, ou água que chega da unidade de cima e danifica a sua. Edifícios antigos, encanamentos velhos, um rejunte que enfim cede atrás de uma parede que você não vê; uma mangueira de máquina de lavar, um ralo entupido num terraço durante um temporal, uma junta de silicone num box. Acontece o tempo todo, o dano atinge o teto, a pintura, os armários embutidos ou os eletrônicos de alguém, e as contas são reais.

É por isso que a responsabilidade civil familiar é inegociável num apartamento sob gestão. Ela paga quando você é a origem: seu vazamento arruína o apartamento de baixo, a condensação do seu ar-condicionado mancha a parede de um vizinho, um hóspede se machuca dentro da sua unidade, um objeto cai da sua janela. Sem ela, um vizinho decidido o leva à Justiça, e um proprietário estrangeiro que raramente está no país é o réu menos simpático que um juiz no Rio verá naquele mês.

A cobertura espelho é a de danos por água do seu lado — os consertos no seu apartamento quando a água vem de cima ou da sua própria tubulação rompida. Leia a redação com atenção, porque as seguradoras traçam linhas finas aqui: o vazamento de canos internos costuma estar coberto; a água que entra por uma fachada ou janela mal vedada durante chuva forte é muitas vezes tratada como falha de manutenção e excluída. Se o seu apartamento é exposto ao tempo — e os bons no Rio são voltados para o mar —, pergunte ao corretor especificamente como a infiltração causada pela chuva é tratada antes de presumir que está coberta.

Um perigo específico do Rio merece ser nomeado: o ar-condicionado na fachada. Edifícios mais antigos estão repletos de condensadoras de split e aparelhos de janela pendurados sobre a rua, e eles caem, pingam e mancham. Se o seu está instalado do lado de fora, isso é uma exposição de responsabilidade apontada diretamente para os carros e as pessoas lá embaixo, e é exatamente para isso que serve a responsabilidade civil. Verificamos os suportes em cada apartamento que assumimos. Você também deveria.

05 · Chuva e as encostas

Temporais, alagamento e a encosta atrás da casa.

A chuva do Rio não é coisa branda. Os temporais de verão despejam um mês de água numa tarde, os bueiros transbordam, ruas baixas alagam e as encostas se movem. Nada disso é exótico — está no noticiário todo janeiro — e a forma como a sua apólice trata isso depende inteiramente de onde o apartamento fica e de quais módulos você contratou.

Vendaval e granizo é um módulo padrão, barato e que vale a pena ter; cobre danos causados pelo vento e a eventual chuva de granizo violenta. O alagamento — ou inundação — é o que se deve pedir pelo nome. Uma unidade no térreo, uma garagem num edifício baixo, uma casa perto da lagoa ou em partes do Centro e da Zona Norte podem receber água no nível do piso, e a cobertura contra alagamento é frequentemente uma cláusula separada, opcional e às vezes com sobretaxa. Se você está num andar alto em Ipanema, é irrelevante; se o seu depósito e a sua garagem ficam abaixo do nível da rua, não é.

O sério é a encosta. Alguns dos endereços mais bonitos do Rio — Joá, partes de São Conrado, Santa Teresa, as casas cravadas nos morros — ficam abaixo ou ao lado de terrenos íngremes, e o deslizamento é um risco genuinamente brasileiro. Muitas apólices residenciais excluem o movimento de terra por completo, ou o cobrem apenas como uma extensão expressa. Se você está comprando uma casa de encosta, não presuma; peça ao corretor que confirme por escrito se o deslizamento está incluído ou de fora, e cote a extensão se ela estiver disponível. Esse é exatamente o tipo de detalhe de apólice que recomendamos obter por escrito da seguradora, em vez de aceitar a palavra de um vendedor.

Um risco com que você pode parar de se preocupar: terremoto. O Brasil fica no interior estável da sua placa tectônica e o Rio não tem terremotos relevantes, então não, você não precisa da cobertura, e qualquer apólice que a venda discretamente está inflando o prêmio. Gaste esse dinheiro nos módulos de água e responsabilidade civil, onde moram os prejuízos de verdade.

06 · Os números

Menos de um mês de condomínio.

O seguro residencial brasileiro é barato, e a diferença entre proprietários que o têm e os que não têm quase nunca é uma questão de dinheiro. Para um apartamento bem localizado na Zona Sul, um seguro residencial sensato — cobertura básica de incêndio, danos elétricos, furto, danos por água, responsabilidade civil, vidros e assistência 24 horas, com valores segurados honestos — costuma ficar na faixa de R$400 a R$1.500 por ano. Um apartamento maior com conteúdo de peso, ou uma casa com terreno e piscina, custa mais; um apartamento modesto com conteúdo modesto custa menos. Trate esses valores como uma faixa de planejamento, não como uma cotação — o único número real vem de um corretor precificando o seu endereço específico.

O que mexe no prêmio, em ordem aproximada: o valor segurado do conteúdo e da responsabilidade civil; o perfil de furto da localização e se o edifício tem porteiro 24 horas; os módulos que você acrescenta (as extensões de alagamento e deslizamento custam dinheiro de verdade onde estão disponíveis); e a franquia que você aceita. Uma franquia mais alta reduz o prêmio; só garanta que seja um valor que você de fato absorveria num sinistro pequeno, e não uma cifra que, discretamente, torna os módulos mais baratos inúteis.

Em geral você pode pagar anualmente ou dividir ao longo do ano — muitas seguradoras oferecem dez ou doze parcelas sem juros no boleto ou no cartão. Para um proprietário que administra o apartamento por meio de uma holding brasileira, o prêmio costuma ser uma despesa operacional dedutível da renda de aluguel, o que abocanha mais um pedaço de um custo já pequeno. A aritmética não é complicada: a apólice custa menos do que o edifício lhe cobra por um mês, e o primeiro sinistro de água que você evita pagar do próprio bolso devolve vários anos de prêmio de uma só vez.

07 · Se você alugar

A temporada muda a apólice.

Eis a armadilha que pega os proprietários que compram um apartamento para morar e depois decidem alugá-lo no mercado de estadias curtas. Um seguro residencial padrão é redigido na premissa de que o apartamento é a sua moradia. No momento em que você passa a alugá-lo por noite — locação por temporada, o modelo do Airbnb —, mudou o uso, e uma seguradora que nunca foi informada pode negar um sinistro exatamente com base nisso. A apólice não ficou mais cara; ficou, discretamente, sem efeito.

Se você aluga o apartamento, o uso precisa ser declarado e a apólice precisa permiti-lo. Algumas seguradoras endossam uma apólice residencial para autorizar o uso por temporada; outras vendem um produto distinto para imóveis alugados e de estadia curta. De um jeito ou de outro, a cobertura que lhe importa desloca-se para as coisas que um hóspede pode causar — danos acidentais ao seu conteúdo, furto por parte do hóspede ou durante a locação e, acima de tudo, a responsabilidade civil por um hóspede que se machuca no seu piso, no seu box, na sua escada. Um estranho no apartamento toda semana é um perfil de risco diferente de você morando ali, e a apólice precisa dizer isso.

Esse é um dos motivos pelos quais todo imóvel que administramos na Art de Vivre opera com um único corretor e uma apólice redigida para o modo como o imóvel é de fato usado. Quando assumimos um apartamento para gestão de estadias curtas, garantimos que a cobertura nomeie o uso, traga responsabilidade civil adequada para hóspedes e funcione ao lado da proteção ao anfitrião da própria plataforma, em vez de presumi-la. As garantias da plataforma são reais, mas estreitas, e lê-las como substituto da sua própria apólice é como os proprietários acabam sem seguro sem saber.

Uma observação à parte para o locador de longo prazo, porque a palavra "seguro" é usada para duas coisas diferentes num contrato de aluguel no Rio. O seguro fiança locatícia não é cobertura do imóvel — é uma garantia de aluguel. O inquilino paga um prêmio e a seguradora responde pelo aluguel e pelos encargos caso o inquilino fique inadimplente, no lugar de um fiador ou de uma caução em dinheiro. Se você aluga seu apartamento sem mobília em contrato anual, o seguro fiança é o instrumento que protege a sua renda; o seguro residencial continua protegendo o interior do imóvel. São complementares, não alternativos, e um bom corretor providencia os dois.

08 · A armadilha do apartamento vazio

Um apartamento vazio está meio segurado.

Esta é especificamente para o proprietário estrangeiro, porque é a lacuna que vemos com mais frequência. Você compra um lindo apartamento em Leblon, vem por algumas semanas no verão, e o resto do ano ele fica às escuras e trancado. Você presume que está totalmente segurado porque o prêmio está pago. Muitas vezes não está. A maioria das apólices residenciais reduz ou suspende a cobertura contra furto — e às vezes mais do que isso — quando o imóvel está desocupado além de um prazo estabelecido, comumente trinta, sessenta ou noventa dias. A lógica é simples do lado da seguradora: um apartamento vazio é um alvo mais fácil e um vazamento corre por semanas antes que alguém perceba.

Assim, o proprietário estrangeiro que deixa o apartamento vazio por nove meses fica exposto justamente no período em que não pode vigiá-lo. As soluções são simples uma vez que você saiba o que perguntar. Algumas seguradoras emitem ou endossam cobertura para um imóvel habitualmente desocupado, com prêmio mais alto e, em geral, com a condição de que alguém o inspecione periodicamente. Algumas mantêm as coberturas de água e responsabilidade civil mesmo suspendendo a de furto. E a solução mais prática de todas é não deixá-lo vazio — um apartamento sob gestão, que é limpo, vistoriado e ocasionalmente alugado, é, aos olhos da seguradora e na realidade, um risco muito melhor do que uma caixa lacrada que ninguém abre desde março.

É um dos argumentos mais discretos a favor de colocar um imóvel de ausente sob gestão. Além do aluguel, um apartamento vigiado mantém o seguro intacto, flagra o pequeno vazamento antes que ele vire o processo do vizinho e dá à seguradora a presença humana regular que a maioria das cláusulas de desocupação está, na verdade, pedindo. Se você vai ficar fora, diga ao seu corretor com honestidade como o apartamento será usado. A pior resposta na hora do sinistro é aquela em que a seguradora descobre a verdade antes de você.

09 · Seguro de título

Você não pode contratá-lo aqui — e nem precisa.

Compradores dos Estados Unidos perguntam sobre o seguro de título quase por reflexo, porque, no país deles, é uma linha em todo extrato de fechamento. No Brasil, ele essencialmente não existe como produto de varejo, e o motivo é estrutural: o Brasil protege a propriedade por meio de um registro público, e não de um seguro. A titularidade vive na matrícula — o registro do imóvel mantido no Cartório de Registro de Imóveis — e é esse registro, não uma apólice, que prova e defende o que você possui.

O que substitui o seguro de título, então, é a due diligence feita corretamente antes de você assinar. Você obtém a matrícula atualizada e lê toda a sua cadeia. Você obtém as certidões do imóvel e do vendedor — as certidões negativas que demonstram a inexistência de ônus, hipotecas, dívidas fiscais, ações judiciais e reclamações trabalhistas que possam recair sobre o ativo. Acerte isso com uma assessoria jurídica competente e o próprio registro será a sua proteção; erre nisso e nenhuma apólice o salvaria de qualquer modo. É mais trabalho no início do que contratar uma apólice e bem mais tranquilizador depois de feito.

Percorremos todo esse processo — a matrícula, as certidões, a questão da holding, o registro — no guia de compra no Rio e no passo a passo jurídico. A versão curta para um guia de seguro: invista no advogado e nas buscas, não numa apólice de título que nenhuma seguradora brasileira respeitável lhe venderá. A proteção, aqui, é a papelada feita uma vez, corretamente, no cartório.

10 · Contratar e acionar

O corretor, os documentos e o dia em que você aciona.

O seguro no Brasil é regulado pela SUSEP, a autoridade federal de seguros, e é vendido por um corretor de seguros licenciado — um corretor registrado na SUSEP. Você pode contratar direto pelos aplicativos de algumas seguradoras, mas, para um proprietário estrangeiro, eu usaria um corretor sempre. Um bom corretor cota três ou quatro seguradoras para o seu endereço real, explica as exclusões numa linguagem que você entende e — a parte que justifica a remuneração — defende o seu lado quando um sinistro está sendo avaliado. A comissão de corretagem está embutida no prêmio de qualquer forma, então um corretor competente não lhe custa nada a mais e lhe poupa a única discussão que importa.

O que você vai precisar para contratar a cobertura: seu CPF, o endereço do imóvel e uma noção da construção e do valor dele, o perfil do prédio (portaria, porteiro, número de andares), um valor honesto de conteúdo e uma declaração clara de como o apartamento é usado — morado, alugado por longa temporada, alugado por diária, ou deixado vazio. Essa última resposta molda toda a apólice, então seja direto. Se você é proprietário por meio de uma holding brasileira, a apólice normalmente é emitida em nome da empresa, com você listado como beneficiário.

Quando algo acontece, a sequência é uma pequena disciplina em si. Você comunica a seguradora prontamente — o aviso de sinistro — dentro do prazo previsto na apólice. Em caso de furto ou qualquer evento criminoso, você registra um boletim de ocorrência, porque nenhuma seguradora paga um sinistro de furto sem ele. Você fotografa tudo antes de limpar, guarda notas fiscais e comprovantes de propriedade dos itens que está reclamando e deixa o regulador de sinistro vistoriar antes de consertar. Uma vez completa a sua documentação, a seguradora corre contra um prazo regulado para pagar ou lhe dar uma justificativa por escrito, e um prazo é uma coisa útil para se poder apontar.

Para os imóveis que administramos, tudo isso fica conosco e com um único corretor: a cobertura é redigida para o modo como o imóvel é de fato usado, a apólice renova em dia e, se um cano estourar às duas da manhã enquanto o proprietário está em Londres, é o nosso telefone que toca, não o dele. Se você quiser uma apresentação ao corretor que usamos, ou uma segunda leitura de uma apólice que já lhe foi cotada, é só pedir — não há comissão nisso para nós, apenas um ano mais tranquilo para o proprietário.

11 · Perguntas frequentes

Perguntas de proprietários de fato fazem.

O edifício já não está segurado? Por que preciso da minha própria apólice?

A apólice obrigatória do edifício cobre a estrutura contra incêndio e destruição, além das áreas comuns. Ela não cobre o interior da sua unidade — seus bens, sua reforma, furto dentro do apartamento ou o estrago que um vazamento seu causa ao vizinho. É exatamente para isso que existe o seguro residencial, e são essas as perdas que de fato acontecem.

Um estrangeiro ou não residente pode contratar seguro de imóvel no Brasil?

Sim. Você precisa de um CPF, que já terá obtido na compra, e a apólice pode ser emitida em seu nome ou no nome da holding brasileira proprietária do apartamento. Não ser residente não impede a cobertura; apenas torna a questão da vacância mais importante.

Quanto custa?

Para um apartamento típico da Zona Sul com cobertura sensata e importâncias seguradas realistas, conte com algo em torno de R$400 a R$1.500 por ano — menos do que um mês de condomínio na maioria dos edifícios. Casas maiores, conteúdos de valor, piscinas e jardins custam mais; o único valor real vem de um corretor que precifica o seu endereço específico.

Quero colocar no Airbnb. Minha apólice continua valendo?

Não automaticamente, e este é o erro mais caro que vemos. Uma apólice residencial padrão pressupõe que você mora ali; o aluguel por diária muda o uso, e uma seguradora que não foi avisada pode negar o sinistro. Declare o uso de curta estadia e providencie um endosso de temporada na apólice ou contrate um produto para imóvel locado, com responsabilidade civil adequada para hóspedes. A proteção ao anfitrião oferecida pela própria plataforma é real, mas limitada — não a trate como se fosse a sua apólice.

O apartamento ficará vazio na maior parte do ano. Estou coberto?

Muitas vezes só em parte. A maioria das apólices reduz ou suspende a cobertura de furto quando o imóvel fica desocupado além de um período determinado — frequentemente 30, 60 ou 90 dias. Diga ao seu corretor a verdade sobre a vacância e contrate uma cobertura voltada para imóvel habitualmente vazio ou, melhor ainda, coloque-o sob gestão para que seja vigiado, vistoriado e ocasionalmente alugado. Uma seguradora trata um apartamento monitorado com muito mais leniência do que um lacrado.

O apartamento do meu vizinho alagou por causa de um cano meu. Quem paga?

A sua cobertura de responsabilidade civil familiar paga, e é exatamente por isso que nunca deixamos um apartamento sob gestão ficar sem ela. Sem esse módulo, a cobrança do vizinho recai pessoalmente sobre você — e um proprietário estrangeiro que raramente está no país é o réu menos simpático em um tribunal do Rio. É a tranquilidade mais barata de toda a apólice.

Preciso de seguro de título como teria no meu país?

Não — ele essencialmente não existe no Brasil, porque a propriedade é protegida pelo registro público, não por uma apólice. Sua proteção é uma due diligence adequada antes de assinar: uma matrícula limpa e as certidões negativas corretas, feitas com assessoria competente. Tratamos disso no guia de compra no Rio.

Devo me preocupar com terremotos ou deslizamentos?

Terremotos, não — o Rio não tem risco sísmico relevante, e qualquer apólice que cobre por isso está inflando o prêmio. Deslizamentos, às vezes sim: se você está comprando uma villa na encosta em Joá, São Conrado ou Santa Teresa, confirme por escrito se o deslizamento está coberto ou excluído, porque muitas apólices excluem movimentação de terra a menos que você a inclua como uma extensão específica.

A Art de Vivre pode providenciar isso para mim?

Sim. Cada imóvel que administramos conta com um único corretor e uma apólice redigida conforme o uso real do imóvel, de modo que a cobertura seja a correta, renove no prazo e a chamada de emergência venha para nós. Teremos prazer em apresentá-lo a esse corretor ou dar uma segunda leitura em uma cotação que você já tenha — não há comissão nisso para nós. Iniciar uma conversa.

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Charles Jonas
Corretor responsável · Art de Vivre · CRECI-RJ 009278/O

Charlie dirige a Art de Vivre — uma corretora do Rio de Janeiro licenciada no CRECI, com um portfólio de locações de luxo — desde 2011. Ele compra, vende e administra apartamentos e casas em Copacabana, Ipanema, Leblon, Joá e São Conrado, e escreve estes guias a partir do que realmente acontece na hora da escritura, não de um folheto. Tem uma pergunta sobre um apartamento de verdade? Iniciar uma conversa.