O Diário · Custos

O Custo Real de Comprar no Rio

Todas as taxas, todos os impostos, cada item entre o preço anunciado e a entrega das chaves — descritos na ordem em que saem da sua conta, com os percentuais, as notas de rodapé e os quatro custos que compradores estrangeiros consistentemente esquecem. Atualizado para 2026.

Atualizado · maio de 2026 · Pela equipe Art de Vivre · Leitura de 19 minutos · 4.600 palavras

Uma compradora em Londres nos enviou um e-mail no ano passado sobre um apartamento em Ipanema anunciado por cinco milhões de reais. A pergunta dela era precisa e absolutamente razoável: então o valor total é cinco milhões, correto? Não era. O valor total estava mais próximo de cinco milhões e trezentos mil, e a diferença — os trezentos mil reais que ela não havia orçado — não era uma taxa oculta, nem uma margem excessiva, nem má conduta de ninguém. Era simplesmente a soma dos impostos, do cartório, do registro, do advogado e dos custos de transferência cambial que toda compra de imóvel no Brasil carrega, e que nenhum anúncio em lugar algum exibe. Este guia existe para que você jamais seja o comprador que descobre essa diferença na mesa de fechamento.

Vamos percorrer cada custo entre o preço acordado e a entrega das chaves, em números claros, na ordem em que cada um realmente sai da sua conta. Diremos quais são fixados por lei e quais são negociáveis, quais são pagos pelo comprador e quais pelo vendedor, e quais quatro são aqueles que compradores estrangeiros consistentemente esquecem até se depararem com eles. Ao final, há três exemplos completamente elaborados — um quarto em Copacabana, um apartamento familiar em Ipanema, uma villa no Joá — para que você veja o total como um número real e não como um percentual. Nada disso é assessoria jurídica ou tributária; somos uma imobiliária licenciada pelo CRECI e trabalhamos ao lado de advogados brasileiros em cada transação, como você também deve fazer. O objetivo deste documento é que você chegue ao escritório do advogado já sabendo como será a conta.

Um enquadramento para ter em mente ao longo de todo o texto. No Rio, o preço anunciado é o maior número isolado, mas não é o único, e os custos de fechamento não são um arredondamento — são um percentual significativo e previsível do preço, que você deve tratar como parte da compra desde a primeira vez que fizer as contas, e não como uma surpresa absorvida no final.

01 · O preço anunciado não é o preço final

Cada custo em uma compra no Rio se enquadra em um dos quatro grupos, e mantê-los separados é toda a disciplina necessária. Existem impostos de transação — dinheiro que vai para o estado simplesmente porque o imóvel mudou de mãos. Existem custos de processo — o cartório, o registro, as certidões, a mecânica de tornar a transferência juridicamente válida. Existem custos de assessoria — seu advogado e, quando aplicável, a imobiliária. E existem custos cambiais — o que custa a um comprador estrangeiro especificamente converter moeda forte, registrá-la e integrá-la à transação. Um comprador brasileiro paga os três primeiros grupos. Um comprador estrangeiro paga os quatro, e o quarto é o que não tem equivalente em uma compra doméstica — exatamente por isso é esquecido.

Como orientação preliminar antes dos detalhes: um comprador estrangeiro deve esperar que os custos totais de aquisição, somados ao preço, fiquem em torno de seis a oito por cento para uma compra direta de apartamento, ocasionalmente um pouco mais em imóveis de menor valor, onde os custos fixos pesam mais, e ocasionalmente um pouco menos nos de valor muito elevado, onde são diluídos. Mantenha essa faixa como referência enquanto percorremos a origem de cada ponto percentual.

Quem paga o quê

Em uma revenda padrão no Rio, o comprador paga o ITBI, as taxas de escritura no cartório, as taxas de registro, seu próprio advogado e seus próprios custos cambiais. O vendedor costumeiramente paga a comissão da imobiliária e seu próprio imposto sobre ganho de capital. Há negociações em que isso é renegociado — tudo no mercado imobiliário brasileiro é, em princípio, negociável — mas, salvo acordo explícito em contrário, essa divisão é o padrão contra o qual você deve orçar.

02 · O ITBI — o imposto de transmissão

O maior custo de fechamento isolado é o ITBI, o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis, o imposto municipal de transferência de imóveis do Rio. Na cidade do Rio de Janeiro, ele é cobrado à alíquota de três por cento sobre o valor da transação, pago pelo comprador, e deve ser quitado antes a escritura pública pode ser assinada — o cartório exigirá a guia de pagamento como condição para prosseguir. Não existe versão de uma compra no Rio que não pague este imposto; é o preço do Estado reconhecer que o imóvel agora é seu.

Três por cento parece modesto até que você aplique sobre um número real. Em um apartamento de cinco milhões de reais, isso representa cento e cinquenta mil reais, devidos em pagamento único, semanas antes mesmo de receber as chaves. Quase sempre é o maior item na demonstração de fechamento, e o que os compradores subestimam porque três por cento parece pequeno ao lado de um preço de sete dígitos. A base de cálculo é, na prática, o maior valor entre o declarado na transação e o valor de referência do município para o imóvel; seu advogado confirma a base antes de você transferir qualquer valor, porque errar nesse cálculo em qualquer direção é custoso.

Há situações pontuais de alíquota reduzida — certas primeiras compras de residência principal de menor valor, de uso próprio, abaixo de limites municipais específicos — que ocasionalmente reduzem o ITBI efetivo. Elas raramente se aplicam ao tipo de imóvel que um comprador estrangeiro está adquirindo, e você jamais deve presumir que se aplica até que seu advogado confirme por escrito, à luz das regras municipais vigentes. Orce o ITBI integral de três por cento e trate qualquer redução como uma correção positiva, nunca como um plano.

Uma escritura formal de imóvel brasileiro sobre a mesa de couro de um cartório, com um sinete de embossagem em latão e lacre de cera
O comprovante do ITBI é o documento que o cartório exige antes de assinar a escritura — o imposto vem antes das chaves. Imagem · Art de Vivre.

03 · O cartório, a escritura e o registro

O Brasil torna a transferência de imóveis real por meio de dois órgãos públicos, cada um cobrando uma taxa regulamentada e publicada. O primeiro é o tabelionato de notas — o cartório que elabora e testemunha a escritura pública, a escritura pública. O segundo é o cartório de registro de imóveis — o registro de imóveis que inscreve a escritura na matrícula permanente do imóvel, a matrícula, ato que efetivamente faz de você o proprietário de direito, e não apenas o detentor de um documento assinado.

Ambos os órgãos cobram por uma tabela progressiva fixada pelo estado, indexada ao valor da transação. As tabelas publicadas são públicas e seu advogado as cotará com exatidão para o seu preço específico; mas, como ordem de grandeza, a escritura e o registro juntos somam tipicamente em torno de um a um e meio por cento do preço em um apartamento comum, com o percentual caindo à medida que o preço sobe, pois a tabela é regressiva no topo. Esses valores não são negociáveis — são estatutários — e não é onde ninguém está lucrando à sua custa; é o custo publicado da estrutura pública que confere força a uma escritura brasileira.

Vale dizer claramente por que essa estrutura é uma vantagem e não um imposto sobre sua paciência. A escritura notariada e registrada é o que torna a titularidade brasileira genuinamente sólida: o registro é um documento público, a cadeia de propriedade é rastreável na matrícula, e as proteções de que você dispõe como proprietário registrado são as mesmas que um cidadão brasileiro possui. O um a um e meio por cento é o preço dessa segurança. Compradores vindos de jurisdições com seguro de título em vez de registro público às vezes acham o custo incomum; trata-se de comprar a mesma coisa por mecanismo diferente.

O interior tranquilo de mármore de um cartório no Rio de Janeiro, com janela em arco e balcão de madeira escura
O cartório não é burocracia por si mesma — a escritura registrada é o que torna sua titularidade tão sólida quanto a de um cidadão. Imagem · Art de Vivre.

Você contratará um advogado brasileiro, e deve considerar esse o dinheiro de maior valor gasto em toda a transação. Os honorários advocatícios em uma compra residencial são tipicamente cotados como um percentual do preço — comumente em torno de um por cento, frequentemente com redução em transações maiores — ou como honorários fixos para um escopo definido. De qualquer forma, um ponto percentual do preço é um prêmio modesto pelo trabalho que o advogado realmente executa, que é a parte da compra que o protege do catastrófico, e não apenas do custoso.

O que você está pagando é pelas certidões — aproximadamente quinze certidões extraídas do registro de imóveis, das autoridades fiscais municipais e federais, da Justiça do Trabalho, dos tribunais cíveis e do síndico do condomínio — e, mais importante, pela interpretação delas. As certidões confirmam que o imóvel e o vendedor estão livres de ônus, penhoras, dívidas fiscais, inadimplência condominial e litígios pendentes, e que a cadeia de titularidade está limpa pelo menos nos últimos vinte anos. As certidões em si são registros públicos acessíveis; o valor está no advogado que as lê corretamente e se recusa a deixar você prosseguir se o dossiê não estiver em ordem. Já vimos essa etapa transformar um apartamento magnífico em "não" — e o comprador nos agradecer por isso um ano depois. Trate os honorários jurídicos como o seguro mais barato da negociação, porque é exatamente isso que são.

O ITBI é o custo que você não pode evitar. O advogado é o custo que você não deve evitar. Tudo de caro que dá errado em uma compra brasileira dá errado no dossiê que ninguém leu com cuidado.

05 · A comissão da imobiliária

A comissão imobiliária no Rio gira em torno de cinco por cento do preço de venda em uma revenda, e — isso importa para o orçamento do comprador — é convencionalmente paga pelo vendedor, deduzida de seus rendimentos, e não acrescida ao preço do comprador. Para a maioria dos compradores estrangeiros, a comissão não é, portanto, um item nos custos de fechamento; ela já está incluída no valor do anúncio.

Duas notas honestas. Primeira: o fato de a comissão estar do lado do vendedor não significa que um corretor do lado do comprador não agrega valor — a diligência sobre o edifício, as atas de assembleia, os comparativos de mercado, o roteiro de negociação adequado a um vendedor brasileiro em vez de americano, a coordenação entre advogado, cartório e banco dentro de um prazo. Esse trabalho é real, quer apareça ou não como uma fatura separada para o comprador. Segunda: em algumas estruturas — compras na planta junto a incorporadoras, certos mandatos fora do mercado, assessorias contratadas pelo lado do comprador — o arranjo de honorários é diferente e explícito. A regra é simples: pergunte, por escrito, quem paga a comissão e quanto, antes de fazer uma oferta. Quase sempre será o vendedor, e você ainda deve confirmar.

06 · O custo de transferir o dinheiro

Este é o grupo que um comprador brasileiro jamais enfrenta e um comprador estrangeiro obrigatoriamente enfrenta, pois não tem equivalente doméstico. Trazer o dinheiro da compra para o Brasil tem um custo em três momentos, e todos os três são percentuais pequenos que se acumulam sobre um principal elevado.

O spread cambial

Converter dólares, euros ou libras em reais ocorre a uma taxa que não é a cotação de mercado exibida na tela. O spread que o seu banco ou casa de câmbio retém é o maior dos três custos cambiais, e em uma transferência de vários milhões de reais uma diferença de até um por cento na taxa representa um valor de cinco dígitos. Isso é genuinamente negociável, especialmente em volumes maiores e especialmente por meio da mesa de clientes internacionais de um banco — e o comprador que trata a conversão como uma formalidade automática em vez de uma transação negociada rotineiramente deixa dinheiro real sobre a mesa.

As tarifas de transferência e bancárias

A própria transferência internacional, mais eventuais tarifas de banco correspondente e o processamento do banco brasileiro receptor, é um custo menor, parte fixo e parte percentual. Modesto em relação ao spread, mas real, e vale confirmar antecipadamente em vez de descobrir no extrato.

O registro no SISBACEN

Todo ingresso de moeda estrangeira destinado ao pagamento de um ativo brasileiro é registrado junto ao Banco Central por meio do contrato de câmbio que o seu banco brasileiro processa. O registro em si não tem custo relevante — mas é o documento mais valioso de toda a compra, pois é ele que permite que os recursos saiam do país sem complicações quando você eventualmente vender, e é ele que determina que seu ganho de capital futuro seja calculado em reais com base no seu preço de aquisição em reais, e não no desembolso em moeda estrangeira. O custo de fazê-lo é irrisório. O custo de não confirmar por escrito que o seu banco o fez pode ser enorme, anos depois. Dizemos isso em todos os guias que escrevemos e continuaremos dizendo.

Visão superior de uma composição flat-lay com calculadora, notas de real brasileiro em leque, uma única chave de latão e plantas baixas dobradas sobre mármore
O grupo cambial é pequeno em percentual e grande em reais — e invisível até que o comprador estrangeiro vá procurá-lo. Imagem · Art de Vivre.

07 · Os quatro custos que compradores consistentemente esquecem

Ao longo de anos de transações com compradores estrangeiros, os mesmos quatro custos são os ausentes da planilha do comprador quando ele a envia pela primeira vez. Nenhum é oculto. Todos são esquecíveis.

1. O spread cambial, tratado como zero

Os compradores orçam o preço na sua moeda local pela cotação de tela e presumem, silenciosamente, que a conversão é gratuita. É o maior custo da operação depois do próprio ITBI, e é o que está mais sob seu controle. Negocie isso como uma condição, não como uma formalidade.

2. Rateios de condomínio e IPTU no fechamento

Na escritura, as contribuições condominiais em aberto e o IPTU do ano são rateados entre comprador e vendedor até a data de fechamento. Geralmente é um valor pequeno — mas ocasionalmente não é: um edifício no meio de um grande fundo de reserva extraordinário pode fazer esse item disparar — e quase nunca está no primeiro rascunho do orçamento do comprador.

3. Mobiliário e obras imediatas

Se o apartamento será explorado como hospedagem de curta temporada ou simplesmente precisa estar habitável desde o primeiro dia, uma mobilização de padrão hoteleiro adequado é um custo de capital real que chega na semana em que você recebe as chaves. Já vimos compradores acertar o orçamento de aquisição ao centavo e depois se surpreenderem genuinamente com o custo de implantação — que, em um apartamento de locação, não é opcional: é o produto.

4. O custo de carregamento desde o primeiro dia

No dia em que a escritura é assinada, a taxa condominial e o IPTU passam a ser seus, independentemente de alguém estar morando ou alugando. Para um comprador que fecha meses antes de se mudar ou antes de a locação ganhar ritmo, esse é um carregamento real que pertence ao plano de aquisição — não ao plano de "depois vemos".

08 · Qual custo ocorre em que momento

Os custos em uma compra no Rio não chegam todos juntos em uma mesa de fechamento, como compradores de alguns mercados esperam. Chegam em sequência, cada etapa dependendo da anterior, e conhecer essa sequência é como você mantém liquidez no lugar certo na hora certa, em vez de correr atrás dela.

O cronograma de custos
Quando cada item realmente sai da sua conta
  1. Na ofertaNada ainda, além do seu próprio tempo. A comissão da imobiliária é do vendedor e já está incluída no preço anunciado.
  2. ReservaUm depósito de reserva em garantia na aceitação — não é uma taxa; é creditado contra o preço, mas é dinheiro real comprometido antecipadamente e reembolsável apenas nos termos do contrato.
  3. Diligência (due diligence)O contrato de assessoria jurídica e as certidões são incorridos aqui. Este é o dinheiro que o protege; gaste-o antes de gastar qualquer valor maior.
  4. Entrada de recursosO spread cambial, as tarifas de transferência e o registro no SISBACEN ocorrem quando os recursos da compra são convertidos e ingressam no país — o grupo exclusivo do comprador estrangeiro.
  5. CompromissoO pré-contrato vinculante; uma fatia substancial do preço (comumente 20–30%) é paga, descontado o depósito de reserva já em garantia.
  6. Antes da escrituraO ITBI — o maior custo de fechamento isolado — é pago integralmente aqui. O cartório não prosseguirá sem o comprovante. Este é o pico de liquidez a planejar.
  7. Na escrituraTaxas de escritura no cartório, mais os rateios de condomínio e IPTU apurados até a data de fechamento. Saldo do preço liquidado.
  8. Após a escrituraTaxas de registro à medida que a escritura é inscrita na matrícula. A partir daqui, os custos de carregamento — condomínio, IPTU — são seus, ocupado ou não.
O ITBI antes da escritura é o momento em que os compradores mais frequentemente subestimam sua posição de caixa. Planeje o pico, não a média.
Ipanema e Leblon vistos do ar ao entardecer
Os três totais elaborados abaixo são baseados em preços reais de Ipanema e do Leblon. Ipanema, Rio de Janeiro.

09 · O total: três exemplos reais

Percentuais são abstratos. Aqui estão três formas reais, com o preço definido e cada custo de fechamento acumulado sobre ele, para que você veja o valor total. Os números são ilustrações realistas de faixa intermediária, não uma cotação para qualquer imóvel específico, e seu advogado produzirá os valores exatos para o seu negócio em particular — mas as proporções são o que observamos.

Custo total de aquisição vs. preço anunciado
Custos de fechamento como % sobre o preço acordado · comprador estrangeiro · ilustrativo
Copacabana — 1 quarto · R$ 1,8M+ ~8.0%
Ipanema — familiar · R$ 5,0M+ ~7.0%
Joá — villa · R$ 14M+ ~6.0%
Imóveis menores têm % maior porque os custos fixos pesam mais; a tabela regressiva de cartório/registro dilui o % à medida que o preço sobe.

Exemplo elaborado — o apartamento familiar em Ipanema

Tome a barra do meio. Um apartamento de cinco milhões de reais, adquirido por uma família estrangeira. O ITBI a três por cento é cento e cinquenta mil reais. O cartório e o registro juntos somam aproximadamente um a um e meio por cento — digamos sessenta mil. O advogado fica em torno de um por cento — cinquenta mil. A comissão da imobiliária é do vendedor, portanto não entra neste lado. O grupo cambial — o spread de câmbio mais as tarifas de transferência, sendo o registro no SISBACEN em si irrisório — é realisticamente de um a um e meio por cento sobre o principal convertido, dependendo de quão bem a conversão foi negociada; digamos sessenta a setenta e cinco mil. Some os rateios do fechamento. O total chega a um pouco menos de trezentos e cinquenta mil reais sobre os cinco milhões — o terço de milhão que nossa compradora londrina não havia orçado, agora itemizado para que você tenha.

O objetivo do exemplo não são os valores exatos, que variam conforme o negócio e a cotação do dia. É a forma: o ITBI é o gigante, o cartório e o advogado são o meio constante, o câmbio é o item exclusivo do comprador estrangeiro que se esconde, e o total é um percentual real e previsível de seis a oito que pertence às suas contas desde a primeira visita ao imóvel — não da última.

Exemplo elaborado — o quarto de Copacabana

Agora a faixa mais alta, e o motivo de ela ser a maior. Um um-quarto em Copacabana de um milhão e oitocentos mil reais, comprado como apartamento puramente de renda. O ITBI a três por cento é cinquenta e quatro mil. O cartório e o registro, na escala regressiva, são proporcionalmente mais pesados aqui do que no apartamento de Ipanema — próximos ao topo da faixa de um a um e meio por cento; digamos vinte e cinco mil. O advogado não cobra a metade por um apartamento que custa um terço; o trabalho de extrair e analisar quinze certidões é essencialmente o mesmo independentemente do preço, então uma cotação de um por cento do preço costuma ter um valor mínimo, e o custo jurídico efetivo como percentual é maior nos negócios de menor valor. O grupo cambial tem o mesmo percentual sobre um principal menor, mas os componentes fixos bancários não encolhem proporcionalmente. Some tudo e o valor total chega a cerca de oito por cento sobre o preço. A lição é estrutural e vale internalizar: quanto menor o apartamento, maior o custo de fechamento como percentual, porque uma parcela significativa desses custos é trabalho de valor fixo e não uma fatia do preço. Compradores atuando na faixa de entrada do mercado devem orçar o topo da faixa, não o meio.

Exemplo elaborado — a villa do Joá

E a barra inferior, pelo motivo oposto. Uma villa no Joá de quatorze milhões de reais. O ITBI a três por cento é um número absoluto muito grande — quatrocentos e vinte mil reais — mas continua sendo exatamente três por cento; esse item escala linearmente e não fica mais barato em termos percentuais. O que puxa o percentual total para baixo é todo o restante: a tabela de cartório e registro é regressiva e aplana bastante no topo, então sobre quatorze milhões fica bem abaixo de um por cento; o honorário advocatício, se cotado como percentual, quase sempre é escalonado em negócios desse porte e às vezes resulta em honorários fixos negociados; e o percentual cambial, embora inalterado, incide sobre um principal grande o suficiente para que os componentes fixos sejam irrelevantes. O total fica em torno de seis por cento. A verdade contraintuitiva que as três barras juntas ensinam é que o comprador do apartamento mais barato paga a maior alíquota e o comprador do mais caro paga a menor — o oposto do que a maioria das pessoas assume sobre transações de luxo.

10 · Quando a estrutura de custos muda: planta e estruturas societárias

Tudo acima descreve o caso padrão: um indivíduo estrangeiro comprando um apartamento pronto no mercado de revenda em seu próprio nome. Duas variações comuns alteram a estrutura de custos o suficiente para merecerem tratamento próprio, pois um comprador que presume que os números de revenda se aplicam a ele em qualquer desses casos estará errado.

Compra na planta junto à incorporadora

Comprar uma unidade nova de uma incorporadora antes ou durante a construção é um animal de custos diferente em três aspectos. Primeiro, o pagamento é parcelado ao longo da obra, e não liquidado em dois ou três movimentos; as parcelas durante a construção são tipicamente corrigidas por índice — ajustadas por um índice de custo da construção até a entrega e por índice diferente após — de modo que o preço assinado não é o total de reais que você efetivamente pagará; a correção é um custo real, às vezes substancial, que compradores de mercados de preço fixo rotineiramente deixam de modelar. Segundo, o ITBI e a escritura são diferidos: não há título transferível a registrar até que o edifício seja entregue e a unidade seja individualizada, então os três por cento e as despesas de cartório chegam mais tarde no cronograma do que em uma revenda — o que muda quando você precisará da liquidez, não se. Terceiro, a comissão em um lançamento de incorporadora é estruturada de forma diferente, e a diligência recai sobre o histórico da incorporadora, sua saúde financeira e seu histórico de entrega, e não sobre uma cadeia de titularidade que ainda não existe. Comprar na planta pode ser uma excelente entrada, mas não é o cronograma de custos da revenda com uma data posterior; é um cronograma diferente com um item de correção que o comprador de revenda jamais verá.

Compra por meio de empresa ou estrutura societária

Alguns compradores perguntam sobre a aquisição por meio de uma empresa brasileira, ou de uma entidade estrangeira, em vez de em seu nome pessoal. Pode fazer sentido — para planejamento sucessório com vários herdeiros, para deter um portfólio maior, por razões tributárias específicas do país de origem identificadas pelos seus próprios assessores — mas nunca é a opção mais barata, e raramente é a adequada para um primeiro apartamento isolado. Um comprador pessoa jurídica precisa de seu próprio CNPJ brasileiro, a estrutura exige contabilidade e conformidade anual que um proprietário individual simplesmente não tem, a abertura de conta bancária é mais trabalhosa, e a análise exige um advogado brasileiro e um consultor tributário transfronteiriço desde o primeiro dia, e não somente no fechamento. Consistentemente recomendamos a compradores individuais que adquiram seu primeiro imóvel no Rio em seu próprio nome, conheçam como a propriedade brasileira funciona na prática e revisitem as estruturas societárias somente se e quando o portfólio ou a situação familiar genuinamente assim o exigir. A estrutura é uma ferramenta para um problema específico, não um padrão, e adotá-la antes de ter o problema basicamente compra custo e complexidade.

11 · Os custos que você pode mover, e os que não pode

Um dos motivos pelos quais listamos cada item separadamente é para que você veja quais são fixados pelo Estado e quais são genuinamente negociáveis, porque compradores desperdiçam energia discutindo os errados e deixam dinheiro sobre a mesa nos certos. O ITBI é fixo: são três por cento da base de avaliação, e ninguém — nem seu advogado, nem nós, nem o vendedor — negocia com o município. O cartório e o registro são fixos: são tabelas estatutárias, publicadas, idênticas em qualquer cartório da cidade. Discutir esses itens é discutir com uma tabela; a energia é desperdiçada.

O que se move é a assessoria e o câmbio. Os honorários jurídicos são um contrato cotado, e um comprador com uma compra simples e limpa pode razoavelmente discutir escopo e preço com o advogado, especialmente em transações maiores onde uma cotação percentual produz um número desproporcional ao trabalho. A comissão da imobiliária, embora convencionalmente seja custo do vendedor e já esteja incluída no preço, é em si um valor negociado na economia geral do negócio — razão pela qual um corretor experiente do lado do comprador às vezes consegue encontrar margem no total que um comprador negociando sozinho não enxerga. E o número mais negociável de toda a transação é o spread cambial na conversão de entrada — não é uma taxa publicada, é uma margem, é cotada diferentemente por diferentes bancos e mesas, melhora materialmente em volumes maiores, e um comprador que a trata como custo fixo e não como condição negociada paga rotineiramente um ponto percentual a mais do que precisaria em um principal de sete dígitos. Se você vai concentrar seu esforço de negociação em algum ponto da estrutura de custos, concentre-o aí e no escopo jurídico, e aceite as linhas estatutárias como o preço de um sistema que genuinamente o protege.

12 · E então o custo de mantê-lo

Os custos de aquisição terminam no registro. Os custos de carregamento começam aí e nunca param, e um comprador que modelou a compra perfeitamente e a propriedade nada tem feito apenas metade das contas.

As duas linhas permanentes são o IPTU — aproximadamente 0,6 a 1,2 por cento do valor venal do município por ano — e a taxa condominial, que nos edifícios de serviço completo do Rio gira entre cerca de R$ 4 e R$ 12 por metro quadrado por mês e é devida independentemente de o apartamento estar ocupado, vazio, habitado ou alugado. Em um apartamento de porte médio na Zona Sul, a taxa condominial sozinha pode superar o imposto predial anual, e é o número que mais frequentemente vemos compradores estrangeiros descobrirem após o fechamento, em vez de modelarem antes. Leia as atas das duas últimas assembleias antes de assinar — sempre, sem exceções — pois é lá que as obras extraordinárias não orçadas, como um novo elevador ou reforma de fachada, são aprovadas, e um apartamento no meio de uma dessas obras carrega um custo que o anúncio jamais mostrará.

Se o apartamento vai gerar renda — e nosso guia complementar sobre rentabilidade de locação detalha exatamente o que ele gera e o que consome — então o mobiliário, a gestão e os custos de rotatividade também fazem parte das contas de propriedade, deduzidos do bruto antes que qualquer valor chegue até você. A maneira honesta de pensar em uma compra no Rio é, portanto, como três números, não um: o preço, os seis a oito por cento para adquiri-lo corretamente, e o carregamento anual para mantê-lo. Um comprador que tem os três escritos antes da primeira oferta é o comprador que jamais encontra uma diferença na mesa de fechamento.

Esse é o propósito integral deste documento. Preferimos muito que um cliente em potencial chegue à primeira conversa já tendo esses três números em mãos e nos faça perguntas difíceis sobre eles, do que chegar apenas com o preço anunciado e descobrir o restante na décima semana. Se você quiser que os seus sejam modelados contra um imóvel real e uma taxa real, é precisamente essa a conversa sem apresentação comercial que oferecemos a cada comprador — e lhe daremos o número incômodo com a mesma prontidão que o confortável.

A·D·V
A equipe Art de Vivre
A Art de Vivre é uma imobiliária carioca licenciada pelo CRECI que vende e administra imóveis de luxo, fundada em 2011. Vendemos apartamentos e casas em Copacabana, Ipanema, Leblon, Joá e São Conrado, e trabalhamos junto com advogados brasileiros em cada transação. Quer o seu custo total calculado com honestidade? Iniciar uma conversa.
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