O Diário · Mercado e dados

Por que 2026 é o ano Americanos, europeus e britânicos estão comprando no Rio

As causas reais — a moeda, o visto de nômade digital, a fuga pós-pandemia em busca de qualidade de vida, a matemática do metro quadrado que finalmente fecha — explicadas com números que você pode alternar entre USD, EUR, GBP e BRL.

Análise de mercado · Maio de 2026 · Leitura de 15 minutos · 3.950 palavras

Corretamos imóveis no Rio para compradores estrangeiros desde 2011. A mistura de nacionalidades que passa pelo nosso escritório mudou várias vezes desde então — russos na dianteira da década passada, argentinos ao redor da Copa do Mundo e das Olimpíadas, compradores portugueses e italianos no início dos anos vinte, uma corrente constante de americanos em todos os ciclos. O que não tínhamos visto, em nenhum desses anos, é uma temporada parecida com a que estamos vivendo agora. Os telefones tocam mais do que tocavam durante as Olimpíadas de 2016. A composição das ligações é diferente — mais calma, mais analítica, menos especulativa — e os compradores chegam com listas de verificação parecidas com as que publicamos neste site. Alguma coisa mudou. Este texto é a nossa tentativa de explicar, com números, o que mudou e por que achamos que 2026 é o ano em que o padrão histórico se rompeu.

A versão resumida: três ventos favoráveis independentes — câmbio, política e preço — se alinharam pela primeira vez desde o início dos anos 2010, e o vento favorável do estilo de vida que soprou baixinho durante a pandemia continua ligado. Nenhum desses fatores é permanente. Vários deles vão se reverter em algum momento — moedas voltam à média, a política de vistos muda com os governos, e os preços respondem à demanda. Ninguém pode te dizer quando; o que podemos fazer é apresentar os fatores com clareza para que você julgue como eles se encaixam nos seus próprios planos.

O vento favorável cambial

O real brasileiro se enfraqueceu significativamente frente ao dólar, ao euro e à libra ao longo dos últimos quatro anos. Isso soa mal — e para os brasileiros que recebem em reais, o resultado foi misto — mas para um comprador estrangeiro que ganha em moeda forte e paga em reais, isso reduziu o preço de importação de cada ativo no Rio em cerca de trinta por cento em termos reais desde 2021. A mudança é tão duradoura e tão claramente percebida pelos compradores que analisam os números, que abrimos quase todas as nossas conversas iniciais com esse dado.

Use o seletor abaixo para alternar entre moedas; os valores de referência são médias de 2026 para apartamentos grandes e acabados em bons edifícios na orla marítima. A matriz ao lado mostra como o mesmo ativo brasileiro se apresenta nas quatro moedas com que nossos clientes estrangeiros chegam.

Exibir em
$ 900,000
3 quartos em Ipanema, dois quarteirões da praia
$ 1,560,000
3 quartos em Ipanema, na Vieira Souto
$ 2,300,000
4 quartos em Leblon, na Delfim Moreira
$ 1,240,000
2 quartos em Copa com vista para o mar
$ 2,900,000
Villa na falésia, Joá, 600 m², frente ao mar
$ 640,000
1 quarto em Ipanema, um quarteirão completo da praia
$ 1,960,000
Cobertura duplex, São Conrado
$ 4,400,000
Melhores edifícios na orla da Vieira Souto

Os mesmos apartamentos, medidos em dólares, estão entre vinte e oito e trinta e seis por cento mais baratos do que estavam em 2014, quando o real ainda era negociado perto de 2,4 por dólar. A implicação para um comprador americano que vendeu um imóvel em Manhattan ou Miami naquele período é direta: o mesmo valor em dólares que comprava um apartamento em Ipanema naquela época hoje compra um apartamento em Ipanema e um segundo imóvel menor em outro ponto da cidade. Essa conta é pouco familiar para quem tem como referência principal o mercado imobiliário norte-americano, onde o câmbio simplesmente não entra na conversa.

Por que a moeda importa mais do que o preço

É tentador interpretar o enfraquecimento do real como uma oportunidade de manchete que todos já perceberam. Dois motivos para levá-la mais a sério do que isso. Primeiro, a depreciação foi gradual, não espetacular, o que significa que a demanda de compradores estrangeiros ainda não teve um ciclo completo para responder plenamente. Segundo, o ativo brasileiro subjacente não sofreu correção — os preços do metro quadrado na orla de Ipanema em reais estão mais altos do que em 2014 — portanto, o desconto é puramente um efeito cambial. Quando o real retornar à média histórica, ainda que modestamente, o preço em dólares do mesmo ativo vai subir sem nenhuma mudança no valor em moeda local. Isso não é uma previsão; é uma característica aritmética de como a matemática do comprador estrangeiro funciona em um mercado de moeda depreciada.

Uma observação sobre o que o seletor faz

A conversão é mantida com base em uma única taxa spot do período atual para que a comparação permaneça internamente consistente. A conversão cambial em transações reais variará com a data da sua transferência e o spread do seu banco. A conversão no mundo real é tipicamente dentro de 1,5 por cento das taxas exibidas.

Metro quadrado na orla do Rio · 2014 – 2026

indexado a 100 em janeiro de 2014
50 100 150 200 '14 '17 '20 '22 '24 '25 '26
Metro quadrado na orla de Ipanema (índice BRL) Mesmo ativo, índice USD

O gráfico acima é a imagem central deste artigo. As duas linhas descrevem o mesmo apartamento brasileiro, medido em duas moedas diferentes, ao longo de doze anos. A linha em moeda local sobe de forma constante — o mercado imobiliário prime do Rio teve uma valorização real significativa durante todo o período. A linha em dólar conta a história oposta para o comprador estrangeiro: o ativo ficou materialmente mais barato entre 2018 e 2022, e se recuperou apenas parcialmente. A diferença entre as duas linhas representa o tamanho da janela de efeito cambial. Ela é grande e incomum na história do Rio.

Uma forma de interpretar este gráfico, que os compradores acham útil: a diferença entre as duas linhas representa riqueza transferida do vendedor brasileiro para o comprador estrangeiro, denominada na moeda do país do comprador, simplesmente porque o comprador chega com moeda forte em um momento em que o vendedor está recebendo em moeda fraca. A transferência não ocorre à custa do vendedor — o vendedor, em reais, saiu bem no período — mas é um benefício real que se acumula para o comprador estrangeiro e que não existia em 2014, podendo não existir novamente por mais uma década. Se você acredita que essa diferença deve ser interpretada como "o Brasil está barato" ou como "o real está fraco" depende do seu ponto de referência, mas a implicação prática para o comprador é a mesma. O ativo está significativamente mais barato na sua moeda doméstica agora do que esteve em qualquer um dos últimos onze anos; a questão de timing é se você quer estar do lado favorável dessa operação.

Ipanema e Leblon vistos do ar ao entardecer, com o Morro Dois Irmãos ao fundo
A orla de Ipanema na Vieira Souto — o ponto de referência para os valores por metro quadrado acima. Ipanema, Rio de Janeiro.

O vento favorável das políticas

A política de imigração brasileira avançou em favor do comprador estrangeiro diversas vezes nos últimos quatro anos, e o efeito acumulado é maior do que qualquer medida isolada. Mencionaremos as três que mais importam para nossos clientes.

O visto de nômade digital

O Brasil criou o VITEM XIV visto de trabalho remoto no início de 2022. As exigências são incomumente simples para padrões internacionais: comprovação de vínculo empregatício com empresa não brasileira, renda de USD 1.500 por mês ou USD 18.000 em poupança, e antecedentes limpos. O visto vale por um ano e é renovável por mais um. Temos colocado um fluxo constante de compradores americanos e europeus em trabalho remoto desde 2022 que estruturaram a mudança em torno desse visto, compraram um apartamento como residência principal após o segundo ano, e converteram para residência por outra via depois de instalados. O visto resolveu um atrito real: as pessoas que mais queriam morar no Rio por um ou dois anos antes de se comprometer com uma compra agora tinham uma via legal limpa para fazer exatamente isso.

A via do investidor

O visto de investidor do Brasil (a VIPER família) foi simplificado de forma significativa em 2023. Para investimentos imobiliários acima de R$ 1.000.000 em centros urbanos ou R$ 700.000 em áreas menos povoadas, o caminho para a residência permanente é documentado, previsível, e leva entre quatro e nove meses. Isso é substancialmente mais rápido do que o equivalente em Portugal, Espanha ou Grécia, e significativamente mais barato do que os programas de cidadania por investimento do Caribe. Para o comprador estrangeiro cuja decisão de compra é parcialmente motivada pela opcionalidade de residência, a via brasileira hoje compete com — na nossa avaliação, supera — os programas europeus de Golden Visa que dominaram a última década.

O esclarecimento sobre residência fiscal

Uma série de decisões administrativas desde 2023 esclareceu as regras sob as quais um proprietário estrangeiro permanece como não residente fiscal no Brasil. A versão resumida: presença física inferior a 183 dias por ano civil, sem renda de emprego de fonte brasileira e o registro adequado no SISBACEN dos recursos recebidos preserva o seu status. Isso parece burocrático; é imensamente relevante. Significa que um comprador americano, britânico ou alemão que passa três a quatro meses por ano no seu apartamento no Rio, aluga-o quando está ausente e continua pagando impostos principalmente no seu país de origem, dispõe de um framework definido e documentado para fazê-lo. O framework existia antes de 2023; a clareza é nova.

A moeda tornou os apartamentos mais acessíveis. As políticas tornaram as mudanças mais fáceis. A pandemia tornou a mudança atraente. A combinação é o que o mercado está respondendo.
A praia de Leblon e seus edifícios de apartamentos à beira-mar na luz do fim da tarde
O pequeno e disputado estoque de Leblon é o primeiro a se contrair em todo ciclo de compradores estrangeiros. Leblon, Rio de Janeiro.

Como foram os ciclos anteriores — e por que este é diferente

Compradores estrangeiros chegaram ao Rio em três ciclos distintos nos últimos vinte anos, e cada ciclo teve um caráter definidor. Entender os três anteriores é a forma mais fácil de compreender por que acreditamos que o atual é estruturalmente diferente e mais duradouro.

2007–2011 — o ciclo dos BRICS

A primeira onda significativa de compras estrangeiras no Rio após 2000 coincidiu com a narrativa global dos BRICS — o Brasil como um dos quatro grandes mercados emergentes sobre os quais o capital institucional de repente precisava ter uma posição. Os compradores eram predominantemente norte-americanos e da Europa Ocidental, os preços subiram rapidamente e o ciclo atingiu seu pico com o anúncio da Copa do Mundo e das Olimpíadas. A depreciação do real que se seguiu em 2014 pegou a maioria desses compradores desprevenida; muitos venderam com prejuízos induzidos pelo câmbio entre 2015 e 2018. A lição que o mercado tirou desse ciclo foi que a demanda liderada por estrangeiros pode ser frágil quando a moeda se move contra o comprador.

2014–2016 — o ciclo das Olimpíadas

O segundo ciclo foi mais curto e mais rápido. Uma onda de compradores europeus e americanos chegou entre a Copa do Mundo e as Olimpíadas, esperando que os eventos elevassem permanentemente o perfil da cidade. Os eventos em si foram bem executados e o perfil da cidade se elevou de fato, mas a moeda local continuou caindo, o ambiente político se tornou instável e o ciclo efetivamente terminou em meados de 2017. Os compradores que permaneceram nos quatro anos seguintes foram bem em moeda local; os que mediram retornos em dólares tiveram um desempenho fraco. Esse ciclo nos ensinou que compras estrangeiras motivadas por eventos tendem a ter desempenho inferior aos ciclos impulsionados por migração de estilo de vida.

2020–2022 — a descoberta da pandemia

O terceiro ciclo foi o mais silencioso dos três. Entre meados de 2020 e final de 2022, um número pequeno mas muito particular de compradores estrangeiros começou a chegar — trabalhadores remotos, muitas vezes ligados à tecnologia, frequentemente solteiros ou casais sem filhos em idade escolar, buscando um lugar para passar de três a seis meses por ano. Os compradores eram mais bem informados do que nos ciclos anteriores, tinham horizontes de tempo mais longos e eram em grande parte indiferentes ao ruído político local. Compravam discretamente, sem fazer manchetes, e foram formando uma população de residentes estrangeiros em Ipanema e Leblon que é mais visível hoje do que há cinco anos. O ciclo da pandemia é o ancestral imediato do atual.

Por que 2026 parece diferente dos três

Três razões. Primeiro, os fatores de câmbio, política e precificação que impulsionaram cada um dos ciclos anteriores individualmente estão agora alinhados simultaneamente de uma forma que nenhum deles esteve antes. Segundo, a composição dos compradores é mais ampla — estamos vendo americanos, britânicos, alemães, franceses, italianos e um volume surpreendente de compradores portugueses e espanhóis, enquanto os ciclos anteriores tendiam a se concentrar em um ou dois grupos nacionais. Terceiro, o propósito amadureceu. Os compradores de 2026 chegam com uma ideia mais clara de por que querem um imóvel no Rio — quase sempre estilo de vida, quase sempre complementado por renda de aluguel, quase nunca puramente especulativo. Essa combinação é mais duradoura do que a especulativa de 2007 ou a orientada a eventos de 2014.

A avaliação honesta

Os ciclos de compradores estrangeiros no Rio têm em média dois a três anos de entrada significativa seguidos de cinco a sete anos de negociações mais calmas. O ciclo atual começou no final de 2023 e estimamos que está aproximadamente na metade da sua primeira fase. A janela para entrada nas condições atuais é mais estreita do que a linha do tempo desde 2020 pode sugerir.

Quem de fato está passando pelo nosso escritório

Para dar rosto aos dados, aqui estão cinco perfis compostos de compradores, construídos a partir da carteira com quem negociamos desde o início de 2024. Os nomes são inventados; as situações e os números são reais.

O engenheiro da Bay Area · 42 anos

Engenheiro de software, casado, dois filhos com menos de doze anos. Recebeu, em 2022, uma distribuição proveniente da venda de uma empresa no Vale do Silício e colocou quatro milhões de dólares numa carteira diversificada que não quer tocar. Visita o Rio todo inverno do hemisfério norte desde 2019 e aluga em Ipanema de janeiro a março. Em 2025, a família decidiu transformar o hábito de alugar em propriedade. Compraram um apartamento de 280 metros quadrados, quatro quartos, a uma quadra da Vieira Souto, por USD 1,85 milhão (R$ 9,25 milhões na época). Usam o imóvel dez semanas por ano e o colocam como locação de estadia curta nas outras quarenta e duas — a receita bruta pelo nosso canal costuma cobrir os custos correntes (IPTU, taxas de condomínio e manutenção), com margem sobrando num ano bem administrado. Não têm nenhuma intenção de vender. As crianças já falam um português razoável depois de dois verões; a mais velha quer entrar na British School a partir do sétimo ano.

O sócio de hedge fund londrino · 56 anos

Sócio de hedge fund, divorciado, filhos adultos. Comprou um apartamento de 320 metros quadrados em Leblon na Ataulfo de Paiva em outubro de 2024 pelo equivalente a GBP 2,4 milhões. Usa como residência principal durante o verão do hemisfério sul (nov–mar) e os meses de transição do hemisfério norte (set, maio–jun), e aluga para outros por meio de uma locação de longa estadia para um cliente corporativo que indicamos. Passou o primeiro ano sem fazer nenhuma obra estrutural — queria conviver com o apartamento antes de modificar qualquer coisa. No segundo ano, está reformando a cozinha e acrescentando um pequeno escritório. O pacote total — compra mais reforma — fica vinte e cinco por cento abaixo do equivalente no centro de Londres com uma planta semelhante, e oferece a ele uma vista da Pedra da Gávea ao entardecer todas as noites a partir do final de outubro. Não voltou a passar um inverno em Londres e não pretende fazê-lo.

A médica de Berlim · 49 anos

Dermatologista com consultório particular bem-sucedido em Berlim, casada, sem filhos. Queria uma base no Rio depois de uma década de férias na cidade. Fez as contas com cuidado — o retorno de aluguel era secundário, mas a janela cambial importava para ela. Comprou um apartamento de 180 metros quadrados de frente para o mar em Copacabana, em março de 2025, por EUR 850.000 (R$ 5,4 milhões). Passa sete semanas por ano morando lá e opera o apartamento como estadia curta por meio da nossa agência nas outras quarenta e cinco. Recebe a renda de aluguel no Brasil sob o regime de retenção na fonte para não residentes — uma alíquota fixa de 15%, recolhida mensalmente via DARF — e coordena o lado alemão com o seu consultor tributário. Já nos disse que provavelmente vai adicionar um segundo imóvel, menor, nos próximos dois anos.

O family office de Singapura · sócios na faixa dos 50 anos

Um family office do Sudeste Asiático comprou seu primeiro imóvel no Rio em 2024 — um apartamento de 450 metros quadrados em Leblon na orla — como diversificação em relação à exposição imobiliária asiática e americana. Os sócios haviam sido aconselhados sobre o Brasil por um consultor londrino. A transação foi paga com caixa do family office; o imóvel foi registrado em nome de um dos sócios pessoalmente, e não por meio de uma estrutura corporativa, a nosso conselho. Dezoito meses depois, a família comprou um segundo imóvel no Rio — um quarto menor em Ipanema para a filha mais velha, que passou o último ano na PUC-Rio aprendendo português e estudando para um mestrado brasileiro. O segundo imóvel custou o equivalente a um único ano de aluguel no bairro de Singapura onde a família mora, e a anuidade da filha na PUC foi metade do que um ano em uma universidade americana teria custado. A família agora está buscando um terceiro imóvel, maior, para usar como base de inverno.

O arquiteto italiano · 38 anos

Arquiteto, casado com uma brasileira, dois filhos pequenos, originalmente baseado em Milão. A família dividia o tempo entre Milão e o Rio há três anos, com a metade brasileira da família inclinando-se para maior permanência. Em 2025, o arquiteto comprou um apartamento de 200 metros quadrados na Lagoa — sem ser na praia, com vista para a lagoa e quinze minutos a pé da praia quando a família quer ir. O custo equivalia ao de um apartamento de um quarto nos bairros centrais de Milão. O arquiteto manteve o estúdio em Milão em funcionamento e agora viaja de volta para visitas de projeto quatro vezes por ano. As crianças estão no British School. A matemática fazia sentido antes da mudança; faz ainda mais sentido desde então.

O que eles têm em comum

Nenhum deles comprou puramente como investimento. Todos compraram principalmente porque queriam estar lá. O retorno, o câmbio e o framework tributário tornaram a matemática viável, mas o motivo real em cada caso foi o estilo de vida. Mencionamos isso porque o comprador estrangeiro que decide apenas pelo retorno tende a escolher o apartamento errado; o que decide pelo estilo de vida e valida o retorno tende a escolher o certo.

O horizonte do Rio de Janeiro com o Pão de Açúcar e a baía de Botafogo
Comparado a Miami, Sydney e Cidade do Cabo, o mercado prime de orla do Rio ainda apresenta um desconto. Botafogo & Pão de Açúcar, Rio de Janeiro.

O vento favorável de preços

O imóvel prime do Rio, em termos reais e neutros em câmbio, deixou de ser caro pelos padrões globais. O ponto de comparação mais útil é o custo por metro quadrado de um apartamento de frente para o mar em cidades comparáveis. Miami Beach fica em torno de USD 12.000 por metro quadrado num endereço de qualidade equivalente. A praia de Bondi, em Sydney, fica em torno de USD 18.000. Clifton, na Cidade do Cabo, fica em torno de USD 7.500. A Vieira Souto, em Ipanema, em maio de 2026, fica entre USD 5.500 e USD 8.000 por metro quadrado para estoque prime de frente para o mar, dependendo do prédio. Ipanema está, portanto, precificada com desconto em relação ao equivalente em Miami, em linha com o equivalente na Cidade do Cabo, e abaixo do equivalente em Sydney — para um ativo cuja praia, na nossa avaliação, é pelo menos tão boa quanto qualquer uma das três.

Essa aritmética é o que está impulsionando o fluxo de entrada. Não é que o Rio esteja de repente barato — o Rio está significativamente mais barato do que o conjunto comparável global na mesma qualidade. Compradores estrangeiros com experiência em transações internacionais percebem isso dentro da primeira hora ao analisar os números. Compradores cuja referência é puramente doméstica — um comprador de Manhattan ou Londres que nunca comprou fora do seu mercado doméstico — demoram mais para internalizar, mas normalmente chegam à mesma conclusão após a primeira visita.

Os riscos que merecem ser nomeados

Não seria honesto escrever um artigo sobre por que um comprador estrangeiro deveria agir este ano sem enumerar o que poderia dar errado. Três riscos merecem ser mencionados.

Reversão cambial

O real poderia se fortalecer. Se voltar ao nível de 4,5 que sustentou pela última vez em 2022, o desconto que motivou este artigo se fecharia parcialmente. Acreditamos que isso é moderadamente provável em um horizonte de três a cinco anos e que o comprador deveria considerá-lo como precificado. Implicação prática: o comprador que adia aguardando "um ponto de entrada melhor em BRL" está tomando o lado oposto da operação implicitamente. Ambas as posições são defensáveis.

Estagnação de preços em moeda local

O mercado prime do Rio teve uma valorização constante nos últimos quinze anos, mas não foi linear; houve janelas de doze a vinte e quatro meses de retornos reais planos ou ligeiramente negativos. Um comprador que precise sair em uma data específica pode encontrar essa janela. O investidor com horizonte de mais de cinco anos está significativamente mais protegido.

Mudança política local

O ciclo político brasileiro é mais dramático do que na maioria das economias da OCDE. Nenhum dos principais partidos jamais propôs legislação restringindo a propriedade imobiliária urbana por estrangeiros, e a proteção constitucional de tratamento igualitário é duradoura. Mas uma mudança na política tributária — especialmente ganho de capital para não residentes ou retenção sobre renda de aluguel — é mais plausível do que em jurisdições de menor volatilidade. O comprador que mantém o registro no SISBACEN em ordem e trabalha com um advogado competente está protegido contra a maioria dos cenários realistas, mas não contra todos.

Vista aérea da praia de Copacabana e do forte de Copacabana
A longa orla de Copacabana é, a nosso ver, onde o valor perdura por mais tempo. Copacabana, Rio de Janeiro.

O panorama, dito claramente

As condições que descrevemos — câmbio favorável, política clara, preço atrativo, e o vento favorável do estilo de vida que a pandemia ligou e não desligou — se sustentam enquanto seus fatores se sustentarem: a taxa de câmbio, o marco de vistos, e o ritmo em que os compradores internacionais absorvem essa conta. Nenhum desses fatores tem data de validade impressa. Esperamos que a participação de compradores estrangeiros nas transações prime do Rio continue subindo até 2027, estabilize, e normalize gradualmente à medida que a vantagem cambial subjacente se corrói e mais compradores internacionais internalizam essa conta. Os melhores apartamentos — os prédios-troféu na Vieira Souto, o pequeno estoque do Leblon — vão se apertar primeiro. A linha de frente-mar em Copacabana e o mercado médio mais amplo de São Conrado vão se apertar por último.

Três implicações práticas para o comprador que está lendo isto em maio de 2026. Primeiro: se você vinha planejando uma compra no Rio e esperando o momento certo de entrada, as condições descritas acima são exatamente as que você esperava. Se elas vão se sustentar, ninguém pode garantir — nosso trabalho é apresentar os números, não te apressar. Segundo: o apartamento certo importa mais do que o mês certo. Tentar acertar o câmbio num trimestre específico é um uso pior da sua atenção do que identificar o prédio e o andar que vão manter o valor ao longo dos próximos dez anos. Terceiro: assuma que a parte burocrática inicial — CPF, conta bancária, documentação — vai levar mais tempo do que você espera, e comece antes de começar as visitas. Os compradores que perdem o apartamento que queriam são quase sempre os que hesitaram nessa etapa inicial.

A pergunta errada é se comprar no Rio. A pergunta certa é qual edifício, em qual rua, em qual andar — e se o seu CPF já chegou.

Se você leu até aqui e a conta está fazendo sentido para você, o próximo passo é o de sempre. Nos escreva um e-mail, ou use o link de chamada na página de contato, e vamos passar uma hora conversando sobre a sua situação específica. Não fazemos discurso de vendas nessas ligações; ouvimos, perguntamos, e dizemos claramente se o que você quer existe dentro do que você tem para investir. Se existir, te ajudamos a encontrar. Se não existir, também dizemos isso. O mercado está bom agora; o que você faz com essa informação é decisão sua.

Uma perspectiva que deixamos aos compradores

O pensamento mais útil que deixamos com a maioria dos nossos compradores do exterior é este. Num ciclo típico de compradores estrangeiros em qualquer cidade global, três forças interagem: o preço do ativo subjacente em moeda local, a taxa de câmbio que traduz esse preço para a moeda do comprador, e o ambiente político que determina o que o comprador pode e não pode fazer depois de instalado. Essas três forças quase nunca se movem na mesma direção ao mesmo tempo. Quando isso acontece, a janela é curta para padrões históricos — medida em meses e anos, não em décadas — e os compradores que entram dentro dessa janela quase sempre parecem inteligentes em retrospecto, independentemente de qual apartamento específico escolheram. As três forças do Rio estão, neste momento, alinhadas. Escrevemos este texto, em parte, porque os compradores que o estão lendo merecem saber disso. A decisão de comprar, e o que comprar, é sua.

A·D·V
A equipe Art de Vivre
Imobiliária carioca que vende e administra imóveis de luxo desde 2011. Trabalhamos com compradores estrangeiros do primeiro e-mail até a entrega das chaves — e da primeira noite ao primeiro hóspede, se você preferir. Iniciar uma conversa.
Continue lendo
Mais do Journal