O Diário · O Guia Pilar

O Guia Completo do Comprador Estrangeiro sobre Imóveis no Rio de Janeiro

Tudo o que um comprador estrangeiro deve saber antes da primeira visita — o arcabouço legal, os documentos, os seis bairros que importam, o processo de fechamento, os impostos e um checklist de noventa dias que você pode marcar conforme avança. Atualizado para 2026.

Atualizado · maio de 2026 · Pela equipe Art de Vivre · Leitura de 18 minutos · 4.500 palavras

Toda semana, um e-mail chega à nossa caixa de entrada de alguém em Nova York, Londres, Lisboa, Singapura ou Berlim. O texto é quase sempre idêntico. Estamos de olho no Rio há algum tempo. Achamos que queremos comprar. Ouvimos que o processo é complicado. Podem nos explicar como funciona? A resposta honesta é que o processo não é mais complicado. É, porém, desconhecido. Há uma diferença. Um comprador que chega ao Rio com os documentos certos, a conta certa e as expectativas certas pode estar com as chaves nas mãos em noventa dias. Um comprador que chega sem essas condições pode ficar parado por nove meses. Este guia é a diferença entre os dois.

Escrevemos este material como o documento que gostaríamos que cada cliente estrangeiro tivesse lido antes da nossa primeira conversa. Não é um catálogo de nenhum edifício ou bairro em particular — há outras páginas neste site para isso. É um mapa prático do terreno. Mantivemos a linguagem clara, os números atuais e as opiniões — onde as temos — claramente sinalizadas como opiniões. Leia uma vez do início ao fim se puder; volte às seções que precisar quando precisar. Há um checklist no final que guarda seu progresso no navegador, para que você possa marcar os itens conforme os concluir.

Uma observação sobre o que este guia não é. Não é assessoria jurídica. Somos uma imobiliária licenciada pelo CRECI; atuamos ao lado de advogados brasileiros em cada transação, e você também deve fazê-lo. Qualquer coisa que você ler aqui deve ser confirmada com seu próprio assessor jurídico antes de assinar. O objetivo deste documento é garantir que você chegue a essa conversa já sabendo as perguntas certas a fazer.

A primeira pergunta que todo comprador estrangeiro faz é a mais importante de responder com clareza: pode um não brasileiro ter imóvel no Brasil? A resposta é sim. A Constituição trata os indivíduos estrangeiros essencialmente da mesma forma que os brasileiros no que diz respeito a imóveis residenciais urbanos. Você não precisa de um sócio brasileiro. Não precisa de uma estrutura societária. Não precisa de residência, embora precise de um número de contribuinte fiscal — mais sobre isso em instantes. A escritura será emitida em seu nome pessoal e registrada no Cartório de Registro de Imóveis local, exatamente como seria para um cidadão.

Há duas ressalvas ao sim, e ambas soam maiores do que realmente são.

A primeira ressalva é a terra rural. Se o sonho é duzentos hectares em Minas Gerais ou uma fazenda em Mato Grosso, as regras se restringem significativamente. A legislação federal limita a parcela da terra rural de qualquer município que pode ser detida por estrangeiros, e compras individuais acima de certos limites exigem aprovação do INCRA, a agência agrária nacional. Nada disso se aplica a uma cobertura à beira-mar em Ipanema ou a uma villa no Joá. Mencionamos apenas para que o rumor — estrangeiros não podem comprar terrenos no Brasil — tenha um lugar onde de fato se enquadra. Ele pertence às fazendas, não aos apartamentos.

A segunda ressalva é a chamada faixa de fronteira, a faixa de 150 quilômetros que corre ao longo das fronteiras internacionais do Brasil. Imóveis dentro dessa faixa exigem autorização do Conselho de Defesa Nacional para compra por estrangeiros. O estado do Rio de Janeiro está longe de qualquer fronteira. Búzios, Paraty, Angra dos Reis, toda a Costa Verde — nada disso está na faixa de fronteira. Mais uma vez, o boato existe, e mais uma vez, ele não se aplica aos endereços que nossos clientes de fato querem.

Sua posição legal

Um comprador estrangeiro que adquire um apartamento, cobertura, villa ou casa de praia em qualquer lugar da Zona Sul, Zona Oeste, região da Lagoa ou Costa Verde do Rio está na mesma posição legal que um comprador brasileiro. A escritura é sua, em seu nome, com as mesmas proteções.

A Constituição o trata da mesma forma. A burocracia o trata como um estranho. A primeira é a lei; a segunda se resolve com papelada.

02 · Os documentos, em ordem

Você precisa de menos documentos do que as pessoas imaginam, mas eles precisam chegar na sequência correta. Tente fazê-los em paralelo e o sistema resiste. Faça-os na ordem abaixo e o processo todo leva cerca de três semanas.

O CPF — o único número que importa

O CPF (Cadastro de Pessoas Físicas) é o número de contribuinte individual do Brasil. É a chave-mestra. Você não pode assinar uma escritura de imóvel sem um; não pode abrir uma conta bancária sem um; não pode registrar concessionárias de serviços públicos, pagar taxas condominiais ou mesmo comprar um chip brasileiro pré-pago por contrato sem um. A boa notícia: o CPF é gratuito, leva minutos e você pode obtê-lo antes mesmo de pisar no Brasil.

Se você está nos Estados Unidos, no Reino Unido, na maioria dos países da UE, no Canadá, na Austrália, no Japão ou em qualquer outro país com consulado brasileiro, o procedimento é o agendamento on-line no consulado, um passaporte, um comprovante de residência e um formulário simples. Alguns consulados emitem no mesmo dia; os mais lentos levam uma quinzena. O número chega por e-mail; o cartão físico é uma cortesia, não uma exigência. Já no Brasil? Vá a uma agência do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou dos Correios com seu passaporte. Vinte minutos e uma pequena taxa. Já vimos clientes fazerem isso na manhã de uma sexta-feira e assinarem o contrato de reserva na tarde do mesmo dia.

Um CPF ou dois?

Se você está comprando com cônjuge, ambos precisam de CPF, mesmo que apenas um deles apareça na escritura. O cartório exigirá os dois. Se você está comprando por meio de uma empresa estrangeira — uma LLC de Delaware, uma SCSp luxemburguesa, uma Holdco das Ilhas Virgens Britânicas — a empresa precisa de seu próprio registro tributário brasileiro (o CNPJ para pessoas jurídicas), e a estrutura passa a exigir um advogado desde o primeiro dia. Recomendamos fortemente que compradores individuais adquiram o primeiro imóvel em seu próprio nome, conheçam como a propriedade brasileira funciona na prática e considerem estruturas societárias posteriormente, caso o portfólio cresça.

O comprovante de endereço e a consularização

Os cartórios brasileiros são rigorosos na identificação de signatários estrangeiros. Para o fechamento, você precisará de um comprovante de endereço recente (com menos de noventa dias) do seu país de origem — uma conta de serviço público, extrato bancário ou correspondência oficial. Se o seu país não for signatário da Apostila de Haia, há uma etapa consular adicional; se for — o que abrange quase todos os países de origem de nossos clientes — a apostila nos seus documentos originais é reconhecida no Brasil sem legalização adicional. Tenha esses documentos em PDF e em papel. O cartório vai querer a versão impressa.

A questão do visto — e a resposta surpreendente

Você não precisa de visto brasileiro para comprar um imóvel no Brasil. A entrada como turista é suficiente. Muitos de nossos clientes compram com carimbo de turista e jamais solicitam qualquer outra documentação. Se seu objetivo é viver aqui mais de seis meses por ano, os vistos de residência pertinentes — o visto de nômade digital para trabalhadores remotos, o visto de investidor para compras acima de certos limites, o visto de aposentado para quem recebe pensão — valem ser explorados com um advogado de imigração brasileiro, mas não são pré-condições para a propriedade. Mencionamos isso porque metade das nossas ligações de triagem começa com preciso primeiro de um visto e a resposta, quase sempre, é não.

Um passaporte, uma cédula de CPF e formulários dobrados sobre uma mesa de couro verde
O CPF, a conta bancária e o número do contrato de câmbio no SISBACEN — a papelada que condiciona tudo o mais. Imagem · Art de Vivre.

03 · Transferindo o dinheiro

Esta é a seção que pega mais compradores de surpresa do que qualquer outra. O motivo não é que o Brasil seja hostil ao capital estrangeiro — ele é genuinamente receptivo a ele — mas que o sistema é documentado de uma forma a que o comprador estrangeiro não está acostumado. Todo ingresso de moeda estrangeira destinado ao pagamento de um ativo brasileiro deve ser registrado junto ao Banco Central. O registro é o que o protege na saída, quando um dia você vender e quiser que os recursos partam novamente. Pule o registro e o dinheiro fica retido. Faça o registro e o caminho de volta está aberto.

O mecanismo é chamado de RDE-IED para investimento direto ou, mais comumente em compras residenciais, um simples contrato de câmbio no SISBACEN. Seu banco brasileiro o processa. A transferência em si é um wire — SWIFT, IBAN quando aplicável, em qualquer uma das moedas principais — para a conta recém-aberta no Rio. O banco converte para reais e a transação é registrada automaticamente. Você recebe um número de contrato; guarde-o. Esse número é o comprovante que, anos depois, lhe permite repatriar os recursos sem dificuldades.

Abrindo a conta

Os bancos brasileiros melhoraram muito nos últimos cinco anos no atendimento a contas de não residentes. Itaú, Bradesco e Santander mantêm mesas dedicadas a clientes internacionais em suas agências principais de Ipanema e do Leblon. Os documentos necessários são previsíveis: passaporte, CPF, comprovante de endereço no exterior, comprovante de origem dos recursos e um endereço brasileiro — o seu, se tiver, ou o escritório do seu advogado se não tiver. Espere um onboarding de duas a três semanas; alguns clientes têm a conta aberta mais rapidamente.

A ordem que funciona

CPF primeiro (on-line, antes de viajar). Abertura de conta bancária em segundo lugar (apresente os documentos no primeiro dia da sua visita). Busca pelo imóvel em terceiro (durante a janela de onboarding do banco). Contrato de reserva em quarto lugar. Transferência bancária em quinto, para a conta já aberta. Fechamento em sexto. Toda a sequência cabe em noventa dias se você não pular etapas.

Cada dólar que compra um apartamento brasileiro precisa se apresentar na entrada. Os compradores que acertam isso não têm problemas na saída.

04 · Onde comprar — seis perfis

Esta é a seção que os compradores estrangeiros mais releem. O Rio não é um mercado único. O preço por metro quadrado, o tipo de edifício, o perfil dos vizinhos, a rentabilidade de locação, a cultura de portaria, o nível de ruído numa terça-feira às 2h da manhã — tudo isso varia por bairro de formas que um catálogo não consegue capturar. Abaixo estão os seis endereços em que nossos clientes do exterior compram com mais frequência, com as trocas que cada um implica. Os preços são médias de 2026 para apartamentos prontos de andar completo ou de grande metragem em bons edifícios. Estarão desatualizados quando você ler isto, mas o ranking relativo é duradouro.

Praia de Copacabana vista da orla na hora dourada
Copacabana vista ao sul, a partir do Forte. Fonte · Wikimedia Commons, Mariordo, CC BY-SA 4.0.

Copacabana — a vitrine

O arco de areia mais famoso do mundo é também o bairro mais incompreendido do Rio. A maioria dos estrangeiros chega com a impressão de que Copacabana é glamorosa e cara; moradores de longa data dirão que é agitada e acessível. Ambos estão certos. A orla — a Avenida Atlântica — é o endereço de prestígio; as ruas paralelas são absolutamente comuns; as ruas do miolo são de classe trabalhadora. O preço por metro quadrado na Atlântica varia de R$ 22.000 a R$ 38.000 em bons edifícios; uma quadra atrás, o mesmo número pode ser dez mil reais menor. Copacabana é o mercado de locação de curta temporada com melhor rentabilidade para estrangeiros porque a demanda turística nunca cessa. É também o bairro com a maior variação na qualidade das portarias. Dizemos aos compradores de primeira viagem: invista o orçamento no edifício, não no CEP.

Ipanema — a família

Ipanema é o que Copacabana gostaria de ter se tornado com o tempo. Ruas arborizadas, uma cena gastronômica mais equilibrada, um público um pouco mais maduro, e uma qualidade construtiva mais uniforme. Os preços por metro quadrado na Vieira Souto — a linha da orla — começam em torno de R$ 35.000 e chegam a R$ 55.000 nos melhores prédios; uma quadra atrás fica entre R$ 18.000 e R$ 28.000. A rentabilidade é menor que em Copacabana porque os preços absolutos são mais altos, mas a valorização de capital tem sido nitidamente mais forte na última década. Ipanema é onde a maioria dos nossos compradores estrangeiros acaba comprando. O deslocamento até as escolas internacionais é o mais curto entre os bairros de praia da cidade.

Leblon — a vila

O Leblon é a irmã mais tranquila, mais residencial e ligeiramente mais cara de Ipanema. A praia é menor. Os restaurantes são melhores. O ambiente é de vila, não de cidade. O preço por metro quadrado na Delfim Moreira varia de R$ 38.000 a R$ 60.000; uma quadra atrás, de R$ 22.000 a R$ 32.000. O Leblon é onde as famílias tradicionais cariocas moram e onde se encontra a maior concentração de vizinhos bilíngues. A contrapartida é a oferta: o Leblon é um endereço finito, cercado por montanhas e pela lagoa, e o estoque de bons apartamentos em qualquer mês é pequeno. Se você encontrar um que ame, decida rápido.

Joá — o penhasco

Joá é o segredo para o qual a maioria dos nossos clientes de longa data acaba migrando. Um bairro pequeno, murado, sobre a falésia, logo depois de São Conrado, na estrada litorânea rumo à Barra da Tijuca, empoleirado acima de duas das praias mais bonitas do Rio. O produto aqui são casas, não apartamentos — terraços, vista para o mar, segurança nos portões, heliponto nos terrenos maiores. Os preços começam em torno de US$ 1,5 milhão para uma casa que precisa de reforma e chegam a US$ 12 milhões ou mais pelos melhores terrenos. Joá não é para todo mundo — exige carro, e a vida social é privada, não de rua — mas para o comprador estrangeiro que quer privacidade, mar e um jardim de verdade dentro dos limites da cidade do Rio, não há outro lugar assim.

São Conrado — a redescoberta

O bairro imediatamente ao sul do Joá, ancorado pela única praia do Rio com ponto de aterrissagem de asa-delta e pelo campo de golfe mais bonito da cidade. São Conrado saiu de moda nos anos 2000 e está, na nossa opinião, em processo de retomada. O preço por metro quadrado para apartamentos de andar completo em bons edifícios de orla varia de R$ 16.000 a R$ 24.000 — um desconto de quarenta a cinquenta por cento em relação a produtos comparáveis em Ipanema. O porém é que os edifícios "bons" em São Conrado estão concentrados em três ou quatro endereços, e você precisa de um corretor que saiba quais são. Nós sabemos.

A lagoa — Lagoa, Jardim Botânico, Gávea

Os três bairros que circundam a Lagoa Rodrigo de Freitas — a lagoa salgada no coração do Rio — são os endereços não praiais mais cobiçados da cidade. Apartamentos na Lagoa com vista direta para a água partem de cerca de R$ 28.000 por metro quadrado e podem superar R$ 45.000. O Jardim Botânico é mais verde, um pouco mais acessível e abriga a classe literária da cidade. A Gávea é o mais familiar dos três. Nenhum deles fica na praia; todos estão a menos de quinze minutos a pé ou cinco minutos de carro de uma. Compradores estrangeiros que preferem uma residência principal a um imóvel de renda frequentemente escolhem a lagoa.

Cristo Redentor no Morro do Corcovado visto de frente à Lagoa Rodrigo de Freitas
O Cristo visto da Lagoa. Fonte · Wikimedia Commons, Artyominc, CC BY-SA 3.0.

05 · O processo de fechamento

As transações imobiliárias brasileiras parecem burocráticas de fora e quase mecânicas por dentro, porque cada etapa é condicionada por um documento específico proveniente de um órgão específico. O processo tem seis etapas e a ordem não varia.

Etapa um — a reserva

Você faz uma oferta por escrito por meio do seu corretor. Uma vez aceita pelo vendedor, você assina um contrato de reserva — um documento curto de uma página — e paga um depósito de reserva (tipicamente de R$ 50.000 a R$ 200.000 dependendo do preço do imóvel) na conta de garantia do corretor. Isso vincula o vendedor; você tem um prazo — geralmente de trinta a quarenta e cinco dias — para concluir a due diligence.

Etapa dois — as certidões

Este é o coração da due diligence. Seu advogado extrai aproximadamente quinze certidões — do registro de imóveis, da Secretaria Municipal de Fazenda, da Receita Federal, da Justiça do Trabalho, dos tribunais cíveis e do síndico do condomínio — para confirmar que o imóvel e o vendedor estão livres de ônus, penhoras, dívidas fiscais, inadimplência condominial e litígios pendentes. As certidões são registros públicos; o trabalho está em interpretá-las e confirmar a cadeia de titularidade pelos últimos vinte anos. Preveja duas semanas. Você não pode avançar para a etapa três até que o dossiê esteja limpo.

Etapa três — o compromisso de compra e venda

A "promessa de compra e venda" é o pré-contrato vinculante. Ele estabelece o preço final, o cronograma de pagamento, a data de fechamento e as penalidades para o caso de qualquer das partes desistir. Ele é registrado no cartório de registro de imóveis como precaução — o que significa que, a partir desse momento, ninguém mais pode comprar o imóvel sem o seu consentimento, independentemente do que o vendedor possa dizer ou fazer. Você normalmente pagará de vinte a trinta por cento do preço de compra nesta etapa, descontado o depósito de reserva já em garantia.

Etapa quatro — o ITBI e a escritura

O ITBI é o imposto municipal de transferência de imóveis do Rio — três por cento do preço de compra (com pequeno desconto para primeiras compras de residência principal abaixo de um limite). É pago antes de assinar a escritura. Com o comprovante em mãos, seu advogado agenda a assinatura da escritura pública — escritura — no cartório. Você comparece pessoalmente; o vendedor comparece pessoalmente; o tabelião lê a escritura em voz alta (sim, na íntegra); ambas as partes assinam e a escritura é emitida no mesmo dia.

Etapa cinco — o registro

A escritura assinada vai do cartório ao registro de imóveis, onde é inscrita na cadeia de titularidade daquele imóvel. O registro leva entre quinze e trinta dias. O comprovante emitido pelo registro é o que faz de você o proprietário formal. Até então, você é o detentor de uma escritura assinada; depois, é o proprietário de direito.

Etapa seis — as chaves e as concessionárias

As chaves são normalmente entregues na assinatura da escritura ou logo após; o síndico do condomínio atualiza seus registros; você comparece às concessionárias — luz, água, gás, internet — para transferir as contas para o seu nome. Seu advogado ou corretor pode fazer isso por você com uma procuração notariada e apostilada, caso você já tenha voltado para o seu país.

Tempo presencial

Você precisa estar fisicamente no Brasil somente para a assinatura da escritura. Todo o restante pode ser feito à distância com uma procuração notariada e apostilada. A maioria dos nossos clientes do exterior passa de quatro a sete dias no Rio para o fechamento, muitas vezes combinado com uma visita de reconhecimento de imóveis para o próximo investimento.

Uma escritura de imóvel brasileiro na mesa de couro de um cartório com um carimbo de metal dourado
A escritura é lida em voz alta e assinada pessoalmente; o registro então o inscreve na matrícula. Imagem · Art de Vivre.

06 · Os impostos que ninguém menciona

O arcabouço tributário brasileiro para imóveis detidos por estrangeiros é simples, mas tem três linhas que surpreendem compradores que não perguntam. Vamos listá-las na ordem em que aparecem no seu calendário.

O IPTU — o imposto predial anual

O IPTU do Rio é de aproximadamente 0,6 a 1,2 por cento do valor venal (o valor de avaliação do município, que costuma ser inferior ao preço de mercado). Em um apartamento de R$ 5 milhões, espere de R$ 25.000 a R$ 45.000 por ano. O boleto chega em janeiro com desconto para pagamento à vista, ou em parcelas até outubro. Estrangeiros pagam a mesma alíquota que os residentes.

A taxa condominial

Não é um imposto, mas é um custo recorrente real. Os edifícios de serviço completo do Rio — aqueles com portaria 24 horas, piscina, academia, guarita de garagem e jardins — cobram entre R$ 4 e R$ 12 por metro quadrado por mês. Um apartamento de 200 metros quadrados em Ipanema resulta portanto em R$ 800 a R$ 2.400 por mês em taxas condominiais. Edifícios menores e mais simples podem ser um quarto disso; os de maior nível de serviço podem ser mais. Peça sempre os doze meses mais recentes de boletos condominiais antes de assinar qualquer coisa.

O imposto sobre rendimentos de locação

Se você alugar o apartamento — longa ou curta temporada — seu aluguel bruto mensal é tributado pelo regime de retenção na fonte para não residentes — uma alíquota fixa de 15%, recolhida mensalmente via DARF, com vencimento no último dia útil do mês seguinte. O Brasil tem tratados fiscais com vários países (os Estados Unidos, vale notar, não são um deles; Portugal e Itália são, e o Reino Unido assinou um tratado em 2022 que ainda está em processo de ratificação), que permitem compensar o imposto pago aqui contra o imposto devido no seu país; consulte seu consultor tributário local sobre essa compensação.

O imposto sobre ganho de capital

Quando você vender, o ganho de capital é tributado por uma tabela progressiva que começa em quinze por cento (para ganhos até R$ 5 milhões) e chega a vinte e dois e meio por cento para ganhos acima de R$ 30 milhões. A base é a diferença entre o preço de venda e o preço de compra originalmente registrado, ajustado por benfeitorias documentadas. Este é o momento em que o seu registro original no SISBACEN justifica seu valor: os ganhos são calculados em reais com base na sua aquisição denominada em reais, e não no seu desembolso em dólares.

O melhor investimento que um comprador estrangeiro pode fazer é a manhã que seu advogado passa explicando o registro no SISBACEN. Pule essa hora e não economize nada; faça essa hora e economize anos.

07 · Cinco erros que observamos estrangeiros cometendo

Fechamos várias centenas de transações para compradores estrangeiros desde 2011. Os erros se repetem; as lições saem baratas quando acontecem com outra pessoa.

1. Comprar do aeroporto

O Rio se apresenta de forma completamente diferente pessoalmente do que no Google Street View. Já vimos compradores experientes se apaixonarem por um edifício nas fotos e desistirem dele em dez minutos de chegada ao quarteirão. Sempre — sempre — veja o apartamento, o edifício, a rua e as três quadras ao redor em três horários diferentes do dia antes de assinar qualquer coisa. Organizamos isso para nossos clientes como procedimento padrão.

2. Escolher o CEP em detrimento do edifício

Um edifício mediano na Vieira Souto é uma compra pior do que um excelente edifício na próxima rua, e quase sempre mais caro. Os edifícios são avaliados pelos seus síndicos, pelo fundo de reserva, pelos porteiros, pelos elevadores, pela família que os construiu e pelos moradores que neles vivem. Um bom corretor brasileiro dedica tanto tempo à due diligence do edifício quanto à do apartamento. Escolha o corretor parcialmente com base nesse critério.

3. Subestimar a taxa condominial

Uma taxa condominial de R$ 9 por metro quadrado em um apartamento de 250 metros quadrados é R$ 27.000 por ano — mais do que o imposto predial do mesmo apartamento. Compradores estrangeiros focados no preço anunciado às vezes subestimam esse item. Peça sempre as atas de assembleia das duas últimas reuniões anuais; é onde as taxas "extraordinárias" não orçadas se escondem.

4. Pular o registro no SISBACEN

Já dissemos duas vezes. Diremos uma terceira. O registro é automático se o seu banco o fizer; é responsabilidade sua confirmar por escrito que ele o fez. O número que você recebe é a diferença entre uma porta aberta e uma porta fechada, anos depois, quando você vender.

5. Tentar negociar à americana

Vendedores brasileiros esperam uma negociação, mas não respondem bem à longa sequência de idas e vindas comum em transações americanas. O roteiro cultural é: uma oferta inicial razoável, uma única contraproposta, um encontro no meio e um aperto de mãos. Múltiplas ofertas baixas sinalizam ao vendedor brasileiro que você não quer de fato o imóvel, e o anúncio vai discretamente para outro interessado. Decida qual é o valor do apartamento para você. Abra com cinco por cento abaixo. Feche nele.

08 · Seu plano de noventa dias

Abaixo está a versão interativa do guia que entregamos a cada cliente estrangeiro. O navegador guarda suas marcações — feche esta aba e volte uma semana depois e seu progresso estará onde você deixou. As datas são orientações, não regras; alguns compradores avançam mais rápido, alguns mais devagar. A ordem importa mais do que o calendário.

O plano de noventa dias
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Dias 1–7Agende o atendimento consular para o CPF no seu país de origem.
Dias 1–7Reúna: passaporte, comprovante de endereço, carta de origem de recursos, apostila de Haia se aplicável.
Dias 7–14Receba o CPF por e-mail; imprima e arquive.
Dias 7–14Escolha um advogado brasileiro com experiência em compradores estrangeiros; mantemos uma lista de indicações.
Dias 14–21Agendar visita — cinco a sete dias, chegada em dia útil.
Dias 21–28No Rio: abrir a conta bancária de não residente no primeiro dia.
Dias 21–28No Rio: realizar o programa de visitas — três bairros, seis imóveis.
Dias 28–35Selecionar dois imóveis; segundas visitas em diferentes horários do dia.
Dias 28–35Fazer a oferta por escrito por meio do seu corretor.
Dias 35–40Aceita: assinar o contrato de reserva e pagar o sinal em escrow.
Dias 35–40O advogado inicia as certidões (15 certidões, prazo de duas semanas).
Dias 40–55Conta bancária aberta; confirmar o processo do SISBACEN por escrito.
Dias 40–55Transferência de fundos; receber o número de registro no SISBACEN.
Dias 55–65Assinar o Compromisso de Compra e Venda; pagar 20–30% do saldo.
Dias 55–65Solicitar o cálculo do ITBI; pagar 3% de imposto de transferência.
Dias 65–75Agendar a data da escritura no cartório.
Dias 65–75Viagem de retorno ao Rio, se necessário; ou outorgar procuração ao advogado.
Dias 75–80Assinar a escritura; receber a escritura pública lavrada.
Dias 80–90Cartório de Registro de Imóveis registra a escritura; receber a Matrícula atualizada em seu nome.
Dias 80–90Transferir contas de serviços públicos, IPTU e condomínio para o seu nome.
Dias 80–90Se for alugar: cadastrar o imóvel com um gestor licenciado — nós cuidamos disso internamente.
Dia 90As chaves. Um café na varanda. Pronto.

Três meses do início ao recebimento das chaves é a mediana, não o prazo mínimo. Já concluímos em cinquenta e oito dias para um comprador que chegou preparado, e já vimos levar cento e oitenta dias para um comprador que pulou a etapa do CPF no início. A variável, quase sempre, está na fase inicial. Organize os documentos antes da viagem de visitas e todo o restante flui naturalmente.

Se você leu até aqui, o próximo passo é uma conversa. Realizamos uma chamada de triagem gratuita e sem pressão comercial com todo comprador em potencial — uma hora, pelo Zoom, com quem da nossa equipe atende o seu mercado de origem. Vamos dizer com clareza se o que você deseja existe dentro do orçamento disponível. Se existir, ajudamos você a encontrar. Se não existir, também dizemos isso. Fazemos isso há muito tempo e nossa reputação é o único ativo que se valoriza.

A·D·V
A equipe Art de Vivre
A Art de Vivre é uma imobiliária carioca licenciada pelo CRECI que vende e administra imóveis de luxo, fundada em 2011. Vendemos apartamentos e casas em Copacabana, Ipanema, Leblon, Joá e São Conrado, e os administramos como residências de temporada quando os proprietários não estão usando o imóvel. Dúvidas? Iniciar uma conversa.
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